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04/12/2019

Os polimorfismos no gene il2 e il4 estão associados com cardiopatia reumática clinica e latente: dados do estudo provar

Resenha elaborada pelo pesquisador Breno De Filippo Rezende

A cardiopatia reumática (CR) está associada a uma resposta inflamatória influenciada por características genéticas dos pacientes. Nenhum estudo até então havia pesquisado as variantes polimórficas nos genes de citocinas em indivíduos brasileiros com CR clínica e subclínica. Nosso objetivo foi avaliar a associação entre polimorfismos funcionais em genes que codificam citocinas imunorreguladoras e diferentes estágios (latente e clínico) de CR em crianças, adolescentes e adultos.

O DNA foi extraído de amostras de sangue de (1) pacientes com CR clínica acompanhados no hospital da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil, (2) pacientes com DCR latente que preencheram os critérios da World Heart Federation de 2012 e (3) controles normais. PCR em tempo real foi utilizada, usando ensaios validados, para avaliar a frequência dos polimorfismos genéticos de IL2 (rs2069762 G/T), IL4 (rs2243250 C/T), IL6 (rs1800795 C/G), IL10 (rs1800896 T/C) e IL17A (rs2275913 A /G).

Amostras de DNA de 212 pacientes foram analisadas, sendo 100 com CR clínica, 77 com CR latente (17 definitivos, 60 borderline) e 35 controles. Os indivíduos com CR clínica apresentaram menor frequência dos genótipos CT e TT no lócus IL4 quando comparados com controles normais (p = 0,027) e com os apresentando CR latente (p = 0,029). Um risco menor de CR clínica foi observado em pacientes com esses genótipos em comparação com indivíduos normais (OR = 0,362; IC 95% = 0,150-0,875 p = 0,024) e com CR latente (OR = 0,489; IC 95% = 0,260-0,920 p = 0,027). Os pacientes com CR latente tiveram uma maior frequência do genótipo TT no gene IL2, quando comparados com os indivíduos com RHD clínica (p = 0,020), sugerindo que este genótipo é protetor contra CR clínica (OR = 0,470; IC95% = 0,250–0,883 p = 0,019). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, ao analisar os polimorfismos IL6, IL10 e IL17A.

Polimorfismos nos genes IL4 (rs2243250 C /T) e IL2 (rs2069762 G /T) podem ser protetores para CR clínica. Estudos prospectivos e longitudinais são necessários para investigar o impacto dos polimorfismos dos genes IL2 e IL4 no desenvolvimento e progressão da CR latente. Atualmente estamos medindo a expressão de IL-2 e IL-4 para avaliar a expressão fenotípica dessas citocinas.

O estudo foi apresentado no último Congresso da Sociedade Brasileira de Cardiologia, ocorrido em setembro de 2019, no Rio Grande do Sul.

 

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