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15/09/2017

Treinamento físico combinado e educação em saúde para idosos com hipertensão arterial: um ensaio clínico randomizado e multicêntrico

Resenha elaborada pela pesquisadora Cíntia Ehlers Botton
 
 
A hipertensão arterial sistêmica é o fator de risco mais importante para o aumento independente da mortalidade global, responsável por 9,4 milhões de mortes anuais. Assim sendo, o controle da hipertensão arterial é de suma importância para a redução dos gastos com saúde pública, da mortalidade, dos eventos cardiovasculares, das complicações associadas a doença e melhora da saúde e qualidade de vida da população. Pessoas idosas compõem o grupo mais afetado pela hipertensão. A população senescente apresenta alta prevalência da doença, que no Brasil varia de 52% a 63% para idosos acima de 65 anos, das diferentes regiões do país.
 
O tratamento da hipertensão é norteado por estratégia farmacológica, porém, o paciente hipertenso é também amplamente beneficiado por mudanças no estilo de vida. Nesse contexto, o controle nutricional e a prática de exercícios físicos reduzem a pressão arterial e o risco de eventos clínicos indesejáveis. Todavia, os estudos disponíveis que analisaram os efeitos do treinamento combinado (associação do treinamento aeróbico e treinamento de força) sob os níveis de pressão arterial não fizeram a inclusão de indivíduos hipertensos com análises da monitoração ambulatorial da pressão arterial (MAPA), o qual é o método de referência para avaliação da hipertensão.
 
Com base no exposto acima, o objetivo do presente projeto de pesquisa é estudar a eficácia de um programa de treinamento combinado (exercícios aeróbicos e de força), comparado a um programa de educação em saúde, sobre os níveis ambulatoriais de pressão arterial e marcadores de saúde em indivíduos idosos com hipertensão arterial. A fim de qualificar a evidência a ser produzida, planejou-se agregar a avaliação de desfechos com importância clínica para a população do estudo, portanto relacionados com capacidades funcionais, qualidade de vida e sintomas depressivos.
 
Para a realização do estudo busca-se utilizar métodos de referência para a avaliação dos desfechos. De forma importante, ressalta-se o caráter pragmático do programa de exercício escolhido, sem utilização de aquinários/recursos complexos, o que visa facilitar a aplicação em larga escala em programas de saúde pública voltados à prática de exercícios na população idosa e hipertensa.
 
O estudo terá delineamento de ensaio clínico randomizado multicêntrico, com duração de 12 semanas, e será composto por dois braços: um grupo controle ativo que vai receber uma intervenção de educação em saúde; um grupo de intervenção com exercício físico. Os centros participantes se encontram em Pelotas e em Porto Alegre. Para a realização do estudo serão recrutados cento e oitenta e quatro idosos ( > 60 anos ) hipertensos sedentários, de ambos os gêneros, que serão divididos entre os dois centros.
 
A hipótese do estudo é que ambos os grupos de intervenção terão melhoras nos parâmetros pressóricos, aderência à medicação e perfil lipídico. No entanto, espera-se que o grupo que receber a intervenção com exercício físico apresentará um benefício mais pronunciado, em conjunto com melhoras mais marcadas nos parâmetros auxiliares de qualidade de vida, sintomas depressivos, controle autonômico, função endotelial e capacidade funcional.
 
O projeto está em vias de iniciar o processo de recrutamento dos participantes.
 
 


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