English
- +

31/10/2016

Metanálise utilizando modelo de comparações múltiplas para avaliar os diferentes esquemas de tratamento de quimioterapia adjuvante e neoadjuvante que utilizam bloqueadores da via de sinalização HER2 no tratamento de pacientes com câncer de mama HER2-posit

Resenha elaborada pelo pesquisador  Márcio Debiasi

"O câncer de mama é um problema de saúde pública em todo o mundo, destacando-se como o câncer mais frequente na mulher. Aproximadamente 20% desses tumores são classificados como HER2-positivos, ou seja, apresentam super-expressão do receptor de membrana HER2, uma alteração molecular que confere maior agressividade a esses tumores. Desde 2005 existe evidência que a associação de trastuzumabe (um anticorpo monoclonal anti-HER2) à quimioterapia adjuvante aumenta a chance de cura de pacientes com tumores de mama HER2-positivos. Dados de uma metanálise publicada pela Cochrane em 2012 indicam redução relativa do risco de morte com o uso de trastuzumabe da ordem de 34% (HR 0,66; IC95% 0,57-0,77).

Todavia, existem pacientes que apresentam recorrência da doença apesar de adequadamente tratadas. Com vistas a sobrepujar a resistência tumoral ao trastuzumabe, foram desenvolvidas outras estratégias para bloquear a via HER2 em outros pontos. Dessa forma, criou-se uma complexa rede de evidências que não pode ser adequadamente analisada pelo modelo clássico de metanálise "pairwise". O presente estudo fundamenta-se em uma revisão sistemática da literatura seguida de metanálise em rede da evidência existente sobre o tema.

Das 1.553 referências identificadas na literatura, 33 estudos fechavam os critérios de inclusão para a metanálise e apenas 12 apresentavam dados referentes a sobrevida global. A utilização de quimioterapia associada ao duplo-bloqueio da via HER2 com trastuzumabe e lapatinibe resultou em ganho de sobrevida global (HR 0.78; IC95% 0.61-0.99, quando comparado ao esquema pacrão-ouro de quimioterapia associada à trastuzumabe por 12 meses).

Os achado desta tese vêm a corroborar o conceito do duplo-bloqueio da via HER2 como melhor opção terapêutica em termos de eficácia no tratamento de tumores HER2 positivos e reiteram a associação de quimioterapia com trastuzumabe como pedra angular deste tratamento.

A valorização clínica deste achado como alteração da prática clínica é tema de importante discussão, posto que o estudo isolado não conseguiu demonstrar essa diferença, mas a metanálise em rede, sim. Até o momento, não existe consenso se dados de uma metanálise como essa devem ser valorizados acima dos ensaios clínicos. Existem outros estudos em andamento que serão incluídos nessa análise quando publicados a fim de se confirmar esse achado."

 

Publicação em breve

 

 

 



Compartilhe: