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28/09/2016

Ensaios sobre economia da obesidade e os preços dos alimentos: teoria e evidências empíricas para o Brasil

Resenha elaborada pela pesquisadora  Larissa Barbosa Cardoso

O objetivo da tese é analisar a influência do preço dos alimentos sobre o crescimento da obesidade no Brasil e avaliar os efeitos de uma política baseada no preço como instrumento de prevenção da obesidade. Essas questões foram analisadas em três ensaios que utilizam da estrutura econômica, baseada no princípio de racionalidade econômica, para compreender as escolhas individuais quanto à ingestão e gasto calóricos e a dinâmica do ganho de peso dos brasileiros.

O ensaio 1, intitulado MUDANÇA INTERTEMPORAL DO ÍNDICE DE MASSA CORPORAL NO BRASIL: QUAL É O EFEITO DO PREÇO DOS ALIMENTOS?, identifica as principais mudanças no índice de massa corporal (IMC) dos brasileiros e estima a contribuição dos preços dos alimentos a partir dos métodos de distribuição relativa e de decomposição contrafactual. Verificou-se que, concomitante ao aumento da obesidade, há um deslocamento para a direita da distribuição do IMC revelando: i) uma maior densidade de indivíduos nas regiões de sobrepeso e obesidade; e ii) um aumento do IMC mediano uma maior dispersão em torno deste.

O efeito dos preços agregados não se mostrou significativo entre os homens. Por outro lado, este efeito é negativo e inteiramente consistente para as mulheres: na média (-0,331). Vale destacar que a magnitude deste efeito é crescente na medida em que se desloca para a cauda superior da distribuição. Ou seja, as mulheres com excesso de peso e obesas mostraram-se mais sensíveis às mudanças positivas no preço, o que contribuiu para reduzir o IMC em aproximadamente 0,53 pontos nos últimos decis da distribuição. Quando se faz a distinção por grupos alimentares, verifica-se que os preços de alimentos como refrigerantes, carne e leite integral mostraram-se bastante significativos. No caso do refrigerante, por exemplo, se o seu preço não tivesse aumentado, o IMC dos homens sido maior em 0,08 pontos e das mulheres em 0,07 pontos. O efeito da variação de preço deste item sobre o IMC atinge o valor de -0,10 e -0,12 os últimos decis para homens e mulheres, respectivamente.

Considerando os efeitos obtidos para o preço de refrigerantes sobre o IMC, bem como sua associação positiva do consumo desta bebida com obesidade, os ensaios 2 e 3 avaliaram os efeitos individuais e agregados, respectivamente, da adoção de políticas públicas de saúde baseadas no aumento de impostos sobre bebidas açucaradas.

No ensaio 2, intitulado SUGAR-SWEETENED BEVERAGES CONSUMPTION AND PRICE SENSITIVITY AMONG BRAZILIAN ADULTS: IMPLICATIONS FOR OBESITY, adotou-se o modelo de duas partes para estimar as elasticidades preço demanda, as quais indicaram que o aumento de 20% no preço de bebidas açucaradas (refrigerantes e sucos) reduz em 12,2% o consumo de refrigerantes, especialmente nos grupos que mais consomem destas bebidas (pessoas com idade entre 35 e 55 anos, de cor branca, que vivem em domicílios composto por mais de um adulto e com alta renda).

Os efeitos em termos agregados foram simulados no ensaio 3, intitulado OBESIDADE E TRIBUTAÇÃO SOBRE BEBIDAS AÇUCARADAS: SIMULAÇÃO DOS IMPACTOS ECONÔMICOS A PARTIR DA ANÁLISE  DE INSUMO-PRODUTO, a partir do modelo de preços derivado da matriz de insumo-produto. Os resultados mostram que uma política tributária sobre refrigerantes tende a gerar poucos efeitos adversos para a economia, com redução da produção do referido setor e daqueles diretamente inter-relacionados sendo compensada pelo aumento na produção de outros setores. O mesmo foi observado para o emprego, que apresentou variação positiva. No que se refere ao consumo, dado que em termos individuais o aumento tributário de 10% contribui para reduzir o consumo em 6,1%, a despesa de consumo agregado das famílias sofreria redução de 2,1%, com maior redução verificada na faixa de renda intermediária.

Diante desses resultados, conclui-se que a elevação do preço dos alimentos observado nos últimos anos teve impacto sobre o peso dos brasileiros com o aumento do IMC e, portanto, políticas públicas baseadas em aumento de preços de produtos calóricos e/ou redução de preços de alimentos saudáveis poderia ser um instrumento eficaz para combater e conter o avanço da obesidade.

 

Leia a TESE.

 

Edição: Luiz Sérgio Dibe

 



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