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14/02/2011

The impact of a 6-year comprehensive community trial on the awareness, treatment and control rates of hypertension in Iran: experiences from the Isfahan healthy heart program

Alireza Khosravi e col. BMC Cardiovascular Disorders 2010, 10:61

Autor da resenha: Karine M. Lima

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma das principais causas de doenças cardiovasculares. Sabe-se que a prevalência desta doença é de aproximadamente 30% no Brasil e em outros países os resultados são semelhantes. O controle da hipertensão envolve a detecção e tratamento através da mudança de estilo de vida e uso de medicações continuadamente. Apesar da importância do controle da HAS para redução do risco cardiovascular, estudos apontam baixos índices de controle desta doença.

Em resposta a esta demanda, o Isfahan Health Service Program (IHSP), realizou um estudo quase-experimental, controlado, com seguimento de seis anos para avaliar o efeito de intervenções  educativas comunitárias  e para profissionais de saúde  nas taxas de conscientização, tratamento e controle da HAS.

Isfahan Healthy Heart Program (IHHP) é um abrangente programa comunitário para prevenção e controle de doenças cardiovasculares (DCV) nos países da região leste do Mediterrâneo. Suas intervenções têm como alvo a promoção de estilo de vida saudável através da alimentação saudável, prática de atividade física, cessação do tabagismo e redução do estresse.

As intervenções visavam a sensibilização da população e dos profissionais da saúde para a detecção precoce, o tratamento e o controle da hipertensão. Foram realizadas ações individuais e comunitárias abrangendo estratégias em diversas categorias como serviços de saúde, programas e propagandas educativas veiculadas na mídia, atividades em parceria com a comunidade e criação de políticas públicas. Os critérios utilizados para a seleção das estratégias foram a simplicidade e a reprodutibilidade.

Entre o ano de 2000 e 2001 foram amostradas populações de três cidades do Irã (Arak, Isfahan e Najaf-Abad) onde foi realizado o estudo de linha de base com o objetivo de conhecer as características sócio-demográficas, prevalência de DCV e seus fatores de risco como HAS, diabetes, tabagismo e obesidade. Após este período, as cidades de Isfahan e Najaf-Abad receberam a intervenção durante o período de seis anos. Arak foi selecionado para grupo controle do estudo, mantendo o cuidado usualmente realizado. O total de pacientes avaliados foi de 10.884 no grupo intervenção e 11.192 no grupo controle. Aferição do desfecho ocorreu no ano de 2007.

Após os seis anos, houve uma redução não significativa na prevalência da HAS no grupo intervenção (de 20,5% para 19,6%) e um aumento significativo da prevalência da HAS na população do grupo controle (de 17,4% para 19,6%). O mesmo aconteceu com a prevalência de obesidade que também aumentou no grupo controle, mas não alterou no grupo intervenção. Houve redução média significativa da pressão arterial sistólica de 116 para 112 mmHg na população do grupo intervenção. As taxas de conscientização, tratamento e controle da HAS aumentaram significativamente no grupo intervenção (9,7% vs. 5,1%, 8,7% vs. 4,8% e 8,7% vs. 4,4% respectivamente), principalmente na população acima de 40 anos e com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30.

O estudo apresentou resultados favoráveis através de mudanças na prevalência, diagnóstico, tratamento e controle da hipertensão.  A redução de 3,8 mmHg nos níveis médios da pressão arterial sistólica foi apontada em outros estudos como fator para redução significativa da incidência de insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), infarto agudo do miocárdio (IAM) e outros eventos por doença aterosclerótica. 


Acredita-se que a razão dos melhores desfechos na população que recebeu a intervenção esteja relacionada à maior conscientização e conhecimento da população sobre a hipertensão e à qualificação do cuidado do paciente hipertenso. Medidas como promoção de alimentação saudável, prática de atividade física e estímulo à cessação do tabagismo têm efeito em outras doenças crônicas como diabetes, obesidade e doenças pulmonares crônicas e devem ser incentivadas na vida diária da população.

No Brasil, o Ministério da Saúde realiza programas como Hiperdia e a distribuição gratuita de medicação, com o objetivo de controle da hipertensão e prevenção de DCV.  Estratégias educativas e de sensibilização da população, como a realizada neste estudo, poderiam ser aplicadas no intuito de aumentar o conhecimento, atitude e comportamento em relação à mudança de estilo de vida, tratamento e controle da HAS.


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