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27/02/2020

Gordura Epicárdica está associada à disfunção endotelial e não ao Escore de Cálcio Coronariano - Dados do ELSA-Brasil.

Resenha elaborada pela pesquisadora Karina Prado

As doenças cardiovasculares (DCV) estão entre as principais causa de mortalidade mundial. O estudo dos fatores de risco modificáveis e a implementação de medidas de profilaxia primária e secundária podem trazer grande impacto à saúde da população. Nesse contexto, a gordura epicárdica, um depósito de gordura ectópica que se relaciona à doença arterial coronariana (DAC) independente da gordura subcutânea ou visceral pode representar um tema promissor ao desenvolvimento de estratégias.

Nosso trabalho, foi apresentado e premiado como 2º Lugar na modalidade Melhores Temas Livres Pôster, no 74º Congresso Brasileiro de Cardiologia. Seu objetivo foi avaliar: 1) quais fatores de risco cardiovascular associam-se com o volume de gordura epicárdica (VGE); 2) se a gordura epicárdica (variável explicativa) está relacionada aos desfechos substitutos de aterosclerose: escore de cálcio coronariano (ECC) e função endotelial (variáveis resposta).

O estudo foi realizado no Centro de Investigação de Minas Gerais do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), uma coorte multicêntrica que pretende investigar os determinantes das DCV e do diabetes mellitus (DM) em 15.105 adultos residentes no Brasil. 470 participantes foram selecionados aleatoriamente, entre aqueles que tiveram exames de tomografia computadorizada (TC) e função endotelial pela tonometria arterial periférica (PAT) válidos. O VGE foi mensurado na TC por método totalmente automático, calibrado para o presente estudo.

As análises estatísticas foram realizadas em 3 etapas , nas quais foram avaliadas as associações uni e multivariadas entre: 1) fatores demográficos e de risco cardiovascular e VGE, através de regressão linear; 2) VGE e ECC, através de regressão logística, estratificando para ECC igual ou diferente de 0 e 3) VGE e função endotelial, através de regressão linear. Nossos resultados demonstraram que o maior VGE está associado com fatores de risco cardiovascular e com piores índices de função endotelial.

Além disso, a associação do VGE com ECC não se manteve após ajuste para os fatores de risco cardiovascular. Em conjunto, nossos dados sugerem que o maior VGE pode estar associado à DAC através de uma via diferente do ECC, que reflete a carga de placas calcificadas nos vasos. A associação com disfunção endotelial, doença microvascular e placas predominantemente lipídicas não calcificadas pode explicar esses achados. Estudos longitudinais utilizando desfechos cardiovasculares são necessários para esclarecer se a VGE é um preditor de eventos cardiovasculares independente de outras medidas de adiposidade.

 

Edição: Luiz Sérgio Dibe

 



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