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28/01/2020

Perfil de pacientes em uso de anticoagulante oral na atenção primária: Projeto Anticoagula Divinópolis/MG

Resenha elaborada pela pesquisadora Thaís Sales

O controle da anticoagulação é determinante para a obtenção de resultados terapêuticos satisfatórios em pacientes em uso de varfarina, anticoagulante oral mais utilizado no Sistema Único de Saúde (SUS). A adesão ao tratamento, o conhecimento do paciente acerca da terapia e o letramento em saúde são parâmetros essenciais para a garantia de um controle adequado e, neste cenário, através do Projeto Anticoagula Divinópolis/MG será implantada a linha de cuidado da anticoagulação no município, com vistas à melhora do controle nos pacientes e consequente redução da incidência de eventos tromboembólicos e hemorrágicos.

Este estudo objetiva avaliar o perfil dos pacientes em anticoagulação oral com varfarina na linha de base do processo de implantação da linha de cuidado da anticoagulação no município de Divinópolis/MG. Trata-se de um estudo transversal, envolvendo pacientes em uso de varfarina com idade igual ou superior a 18 anos, atendidos em 20 unidades básicas de saúde no período de maio de 2018 a maio de 2019. Durante o recrutamento dos pacientes, foram coletadas características sociodemográficas, clínicas e demais variáveis de interesse relacionadas à terapia com varfarina por meio da aplicação dos testes: medida de adesão ao tratamento com anticoagulante (MAT adaptado), avaliação do conhecimento da anticoagulação oral (OAK Test) e avaliação do letramento em saúde (SAHLPA-18).

Os 117 pacientes incluídos no estudo apresentam em média 64,8 ± 12,3 anos, 67,5% (n = 79) tem idade igual ou superior a 60 anos e 56,4% (n = 66) são do sexo feminino. A principal indicação para a anticoagulação é fibrilação atrial (FA, 33,0%), seguida de tromboembolismo venoso (27,4% / n = 32) e prótese valvar (17,9% / n = 21). Neste aspecto, destaca-se que 12,0% dos pacientes não apresentam a indicação de anticoagulação registrada em seus prontuários, o que implica na necessidade de reavaliação clínica destes pacientes para a tomada de decisão acerca da anticoagulação.

Ao analisar informações clínicas presentes nos prontuários, observou-se que a maioria dos pacientes apresentam risco tromboembólico baixo (55,6% / n = 50) e risco hemorrágico moderado (77,6% / n = 83), no entanto, essa estratificação de risco pode estar subestimada, visto que, nenhum prontuário apresentou registros relativos aos escores CHA2DS2-VASc e HAS-BLED. O MAT adaptado demonstrou que 85,1% (n = 97) dos pacientes são aderentes à terapia com varfarina. O total de acertos no OAK Test foi 52,0%, sugerindo um conhecimento insuficiente acerca da terapia com varfarina. Já o SAHLPA-18 indicou que 71,8% (n = 84) dos pacientes apresentam um alfabetismo em saúde inadequado.

Em geral, nota-se um desconhecimento da importância de avaliação do risco tromboembólico e hemorrágico por parte da equipe médica. Além disso, os pacientes apresentam conhecimento insuficiente acerca da terapia e um alfabetismo em saúde inadequado. Portanto, tais resultados demonstram a importância e o benefício de se desenvolver estratégias para melhoria do controle da anticoagulação no município.

 
Edição: Luiz Sérgio Dibe


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