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19/12/2019

Rastreamento ecocardiográfico com interpretação à distância via telemedicina como ferramenta de priorização na Atenção Primária: dados do estudo PROVAR+

Resenha elaborada pela pesquisadora Mariana Duarte

As doenças cardíacas (DC) são responsáveis por alta morbimortalidade no Brasil. Diagnósticos tardios e filas de espera para atendimento especializado comprometem os desfechos clínicos. Objetivamos avaliar a viabilidade da integração do ecocardiograma (ECO) de rastreamento com interpretação à distância como uma ferramenta de priorização na atenção primária, e avaliar a prevalência de DC.

Para tal, durante 10 meses, 22 profissionais da saúde em 21 Unidades Básicas de Saúde foram treinados para a utilização de aparelhos de ECO ultraportáteis com protocolos simplificados. Agentes de saúde foram treinados para promover educação em visitas domiciliares. Três grupos de rastreamento por idade (17-20, 35-40 e 60-65 anos) (G1), além de pacientes em fila de espera por ecocardiograma ou referenciados pelas equipes por indicações clínicas (G2) foram submetidos ao ECO simplificado, mediante termo de consentimento.

Exames foram interpretados por telemedicina por equipes dos EUA e do Brasil. DC maiores foram definidas como: doença valvar moderada a grave, disfunção ou hipertrofia ventricular, derrame pericárdico ou déficits contráteis. Pacientes com DC graves foram priorizados para atendimento especializado. Como resultado, de janeiro a outubro/2018, 7.500 pacientes foram educados e 2.087 submetidos ao ECO, sendo 653 (31%) no G1. Todos os exames foram interpretáveis, mas questões de qualidade foram reportadas em 5,8%.

A idade média foi de 51±17 anos, 64,6% do sexo feminino, 46,7% eram hipertensos e 18,4% diabéticos. Os sintomas mais prevalentes foram dor torácica (32%) e dispneia (28%); 48% eram assintomáticos. DC maiores foram encontradas em 29,2% no G1 x 38,4% no G2, p<0,001. DC grave, requerendo priorização para acesso a atendimento especializado, foi encontrada em 25,4% dos pacientes do G1 x 30,1% no G2 (p=0,03).

Comparando G1 e G2, disfunção grave do ventrículo esquerdo foi observada em 2,8% x 2,2%, p=0,60, doença valvar mitral moderada a grave em 10,7% x 9,6%, p=0,68, e qualquer grau de estenose aórtica em 10,7% x 9,6%, p=0,43. A concordância entre o ECO de rastreamento e o ECO convencional de seguimento para presença de DC grave foi de 89,9%.

Sendo assim, concluímos que a utilização do ECO de rastreamento na atenção primária como uma ferramenta de priorização em áreas com recursos limitados é viável no Brasil. DC graves foram observadas em apenas em 30% dos pacientes previamente referenciados para ecocardiografia, sugerindo que esta estratégia pode otimizar filas de espera.

Este trabalho foi apresentado no Congresso Brasileiro de Cardiologia, ocorrido em setembro de 2019, em Porto Alegre/RS, como tema livre oral.
 
Edição: Luiz Sérgio Dibe
 
 
 


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