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30/09/2019

Implementação de estratégia multifacetada para o controle de hipertensão arterial e diabetes na atenção primária: Projeto Healthrise brazil - Teófilo Otoni

Resenha elaborada pela pesquisadora Christiane Corrêa Rodrigues Cimini

O impacto das doenças cardiovasculares (DCV) é maior em populações menos favorecidas, onde o reconhecimento e o controle dos fatores de risco são mais deficientes. A hipertensão arterial sistêmica (HAS) e o diabetes mellitus (DM) são importantes fatores de risco modificáveis para as DCV e o controle dessas condições pode reduzir a morbimortalidade. O Projeto HealthRise foi um estudo multinacional, desenvolvido em parceria com a Medtronic Foundation, a Abt Associates e o Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) e financiado pela Medtronic Foundation. No Brasil, as atividades foram desenvolvidas entre outubro de 2016 e outubro de 2018 em dois sítios:  na Microrregião de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais e na Bahia.

O presente estudo, se refere ao Projeto HealthRise Brazil – Teófilo Otoni (HRTO). Trata-se de um estudo quasi-experimental, implementado em 34 unidades básicas de saúde (UBS) de 10 municípios da microrregião de Teófilo Otoni, com IDH menor que 0,6 e população de até 20.000 habitantes. Constituiu-se de uma de intervenção multifacetada na Atenção Primária à Saúde (APS), com objetivo de melhorar o controle dos níveis pressóricos e glicêmicos em pacientes com HAS e DM, respectivamente. A intervenção incluiu as seguintes atividades: (1) capacitação de profissionais das equipes de saúde da família: os treinamentos foram voltados para o protocolo do estudo, o qual foi pautado pelas melhores evidências científicas e pelas recomendações do Ministério da Saúde e Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais; (2) fortalecimento de grupos operativos, com estratégias inovadoras de atividade física, grupos de nutrição saudável, oficinas culinárias e implantação de Grupos GAM (Gestão Autônoma de Medicação); (3) envio de mensagens de texto para celular de pacientes, com dicas de saúde e lembretes sobre o uso correto de medicações; (4) organização do fluxo de consultas, racionalizando o atendimento entre médicos e enfermeiros; (5) ampliação do acesso racional a exames complementares, os quais, nesses municípios, não eram minimamente oferecidos; (6) desenvolvimento e implementação de sistema de informação com um sistema com suporte à decisão clínica, que disponibiliza ao profissional de saúde a melhor recomendação. Os pacientes foram acompanhados de outubro/17 a outubro/18.

Foram treinados presencialmente 503 profissionais e 438 a distância, correspondendo a 94,6% de todos os profissionais da AP das 34 UBS. Destes, 6,8% eram médicos, 9,8% enfermeiros, 13% técnicos de enfermagem, 59% ACS e 11,4% outros profissionais. Estes treinamentos também melhoraram o senso de valorização profissional e a autoestima dos colaboradores da APS.

Dos 1028 pacientes com diabéticos acompanhados, 40% (n=412), possuíam registro de glicohemoglobina (HbA1c) em pelo menos 2 consultas. Nesses casos, houve redução significativa da HbA1C - 7,5% para 7,2% (p<0,001). Houve aumento da proporção de pacientes com HbA1c < 7% (41,0% vs. 44,7%) e redução da proporção de pacientes com HbA1c ≥ 9% (31,3% vs. 25,2%) (p<0,05 para ambos). Dos 3993 hipertensos acompanhados, 1643 (41%) tiveram pelo menos duas aferições da PA. Observou-se que em 42,5% houve redução de, pelo menos 10% na PA. Entretanto, não foi observada redução significativa da proporção de pacientes com PA <140/90mmHg. 

Este estudo concluiu que a implementação de intervenção multifacetada na Atenção Primária dessa região associou-se com redução da HbA1c e melhora dos níveis de controle da PA em pacientes HAS, sendo os resultados mais significativos nos pacientes com DM. Suas limitações principais foram o curto período de acompanhamento e o sub-registro de medidas no sistema de informação.

 

Edição: Luiz Sérgio Dibe

 


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