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29/11/2018

Avaliação de custos reais de um serviço de saúde

Resenha elaborada pela bolsista Bruna Stella Zanotto

A crescente porção do PIB (produto interno bruto) destinado a gastos com saúde nos países reflete a necessidade da análise de informações financeiras para gestão estratégica da saúde. Estimar custos reais de novas tecnologias de saúde é uma importante etapa para identificar a sua efetividade e sequente orientação à tomada de decisão de implementação ou não do serviço.

Uma metodologia de custeio que tem sido bem aceita na área da saúde é a Time-Driven Activity-Based Costing (TDABC), cujo propósito é mensurar o custo dos serviços a partir dos seus reais consumos de recursos. O princípio fundamental deste método é de que ele transforma os direcionadores de custos em equações de tempo, que representam o tempo necessário para se realizar tal atividade. O objetivo deste trabalho é mensurar o custo real de um novo serviço de telemedicina. A aplicação do TDABC seguiu as orientações de Keel et al. 2017 que sugere a condução do método em sete etapas.

Primeiramente, buscou-se compreender o fluxo das atividades executadas, profissionais e local envolvidos e necessidade de uso de recursos específicos. Identificou-se que a estrutura do centro diagnóstico tem 11 departamentos principais, dentre eles cinco deles são considerados de apoio e o restante eixos produtivos, estes são os que efetivamente geram a entrega ao paciente/usuário. Na sequência, levantou-se os valores de salários e bolsas e demais contas pagas mensalmente nos consultórios. Esses foram organizados considerando a classificação feita anteriormente dos setores que atuam os profissionais.

Para o fechamento do custo total por departamento, levantou-se os outros custos fixos como aluguel, energia, impressões, manutenção e telefonia mensais. As capacidades foram calculadas em função da disponibilidade de carga horária dos profissionais que exercem as atividades, pois todas demandam a interação humana. Ao avaliarmos capacidade padrão, temos o número de consultas, diagnósticos que devem ser feitas de acordo com a capacidade do profissional ali presente.

Os resultados expressos são de nove meses de utilização do serviço, desde sua implementação, e mostram a comparação entre custo padrão e real gasto ao longo dos meses. Tem-se presente nos resultados o custo da curva de aprendizado, caracterizado pelo custo maior deste serviço nos primeiros meses de implementação, mas que são reduzidos gradativamente conforme o custo real vai diminuindo e se aproximando do custo padrão, diminuindo perdas. A amplitude entre o primeiro mês e o último coletado foi de R$ 755,76.

O uso de métodos de custeio baseado em atividades merece destaque pois permite obter dados mais precisos sobre custo da tecnologia, melhorando a capacidade de gerenciamento da organização de saúde. Neste caso, útil justamente para explorar como a implementação de uma nova tecnologia no sistema de saúde precisa de um tempo de maturidade e, assim, orientar na tomada de decisão.

 

Edição: Luiz Sérgio Dibe



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