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26/09/2018

Padrões Espaciais da Síndrome do Zika Congênita. Recife/Pernambuco, 2015 - 2018

Resenha elaborada pela pesquisadora Amanda Priscila de Santana Cabral Silva

Entre 2 e 5 de setembro, a cidade de Olinda, em Pernambuco, sediou o 54º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. O tema central do evento foi "Doenças Transmissíveis: predição e desafios para o enfrentamento de novas e velhas epidemias". Destacou-se o enfoque à discussão das arboviroses e outras doenças endêmicas transmitidas por vetores, no mais amplo e importante fórum de discussão dos programas de controle, da vigilância em saúde e de novas alternativas para o diagnóstico e tratamento de agravos que constituem grandes desafios em saúde pública, na perspectiva do fortalecimento do SUS.

Dentre os trabalhos apresentados, está o estudo intitulado "Padrões Espaciais da Síndrome do Zika Congênita. Recife/Pernambuco, 2015 - 2018", de autoria de Amanda Priscila de Santana Cabral, Celina Maria Turchi Martelli, Wayner Vieira de Souza e colaboradores. Trata-se de análises preliminares, considerando que o estudo em nível de Pós-Doutorado está em fase de desenvolvimento na Fiocruz de Pernambuco, em Parceria com o IATS.

A partir de agosto de 2015, observou-se uma epidemia de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus Zika (ZIKV). Posteriormente, o relato de outras malformações congênitas relacionadas a infecção por ZIKV levou a caracterização da Síndrome do Zika Congênita (SZC). Neste primeiro momento, o objetivo foi analisar a distribuição espacial dos casos de SZC no Recife, Pernambuco, entre 2015 e 2018.

Foram incluídos os nascidos de gestantes residentes no Recife/PE, entre as semanas epidemiológicas 38/2015 a 23/2018, que atendiam a seguinte definição: caso de microcefalia e/ou SZC, que apresentava, no momento da notificação, microcefalia ou microcefalia severa ou que, ao nascer, não atendia a definição para notificação por microcefalia ou com definição de microcefalia ignorada, mas que posteriormente foi confirmado para SZC.

Foram excluídos os notificados que apresentaram infecções por sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e herpes simples (TORCH). Foram calculadas, por bairro de residência, as prevalências brutas e com estimação bayesiana. A partir da prevalência estimada foi investigada a presença de autocorrelação espacial por meio dos índices de Moran Global (IMG) e Local. As fontes de dados foram o Registro de Eventos em Saúde Pública (RESP-Microcefalia) e o banco do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos, ambos disponibilizados pela Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco. As análises foram realizadas no TerraView 4.2.0.

No período, 214 notificações atenderam a definição de caso correspondendo a 50,0% das notificações. A prevalência bruta da SZC indicou em 57 dos 94 bairros do Recife a presença do evento e que 45% dos bairros apresentaram prevalência entre 25,1 e 100,0 casos/10.000 nascidos vivos. Foi confirmada a presença da autocorrelação espacial da ocorrência do agravo no município (IMG=0,5964; p=0,001), enquanto a análise da autocorrelação espacial local indicou duas principais regiões de importância para a vigilância territorial: ao norte, sendo prioritária para intervenção devido à alta ocorrência do agravo e estando em região que é reconhecida por apresentar baixa condição de vida; e ao leste, que conta com melhores condições de vida e que apresenta de forma significante uma menor ocorrência do agravo.

O monitoramento da distribuição espacial dos casos de SZC pode contribuir na compreensão da dinâmica de transmissão além de apoiar no direcionamento de intervenções de políticas públicas de saúde para controle da ocorrência do evento. Dentre os próximos passos do estudo, está a identificação de condicionantes ecológicos associados a ocorrência do evento, sendo uma das propostas o desenvolvimento de um estudo caso controle espacial.

 

Edição: Luiz Sérgio Dibe



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