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27/08/2018

Start-up de um Hospital-Dia na área do coração: análise de atividade, qualidade e custo-efetividade no primeiro ano de operação.

Resenha elaborada pela pesquisadora Prisciane Raupp da Rosa

Na última década, os custos de saúde vem aumentando consideravelmente. Muitos fatores podem ser os responsáveis por este aumento, como por exemplo envelhecimento e aumento da população, das condições crônicas, da maior oferta de tecnologias e de novas terapias para a saúde, entre outros. Neste contexto, buscar novas alternativas de eficiência para o sistema de saúde se faz fundamental, pois os recursos da sociedade são finitos e as necessidades da sociedade são muitas.

Seguindo esse foco, surge a alternativa do Hospital-Dia (HD). Conforme o Ministério da Saúde, o regime do HD é a assistência intermediária entre a internação e o atendimento ambulatorial, para realização de procedimentos clínicos, cirúrgicos, diagnósticos e terapêuticos, que requeiram a permanência do paciente na Unidade por um curto período de no máximo 12 horas. Ao todo foram previstos mais de 440 procedimentos disponibilizados nas tabelas do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), do SUS. HD objetiva a melhoria da qualidade de vida dos pacientes como uma alternativa à hospitalização tradicional. Apresenta-se, também, como uma possibilidade de redução de custos na assistência à pacientes e agilidade no atendimento aos usuários.

Assim sendo uma alternativa para desafogar as emergências dos hospitais, evitando ingressos inadequados de hospitalizações, ou postergações de atendimentos de procedimentos mais simples, que possam evoluir para casos mais graves, os quais passam a requerer atendimentos de emergência, ou então, a necessidade de tratamentos mais complexos. Portanto, o HD seria uma forma de diminuir a questão da superlotação dos hospitais, que afetam diretamente a qualidade e o custo da assistência e assim otimizar da melhor forma os recursos disponíveis.

Recentemente publicado na Revista Española de Cardiología, o artigo "Puesta en marcha de un hospital de día del área del corazón: análisis de actividad, calidad y coste-efectividad en el primer año de funcionamiento", reporta análise sobre a atividade assistencial, a qualidade do cuidado e a relação custo-efetividade do HD. O estudo é focado no serviço de cardiologia, no Hospital Universitário de Salamanca, Espanha.

A qualidade do atendimento foi analisada pelo índice de substituição dos procedimentos programados, pela taxa de cancelamento, possíveis complicações e pela utilização de uma pesquisa de satisfação. Para o custo-efetividade, foi calculada a economia relacionada às internações evitadas. O impacto econômico foi calculado pela diferença dos gastos gerados pelo HD (entre os custos estão: profissionais fixos e equipamentos usados) e o ganho econômico com gastos de hospitalizações evitadas pelo atendimento.

Tais dados foram coletados a partir do primeiro ano de funcionamento do HD cardiologia (2013). Para a pesquisa um total de 1.646 pacientes foram assistidos, com idade média de 60 anos para mais. Desses, 60% eram homens. Do total de pacientes, 65% eram diagnosticados por Insuficiência Cardíaca (IC) e 35% se tratava de revisões clínicas. Dos pacientes de IC apenas um necessitou ser hospitalizado. Foram agendados 2.550 procedimentos, com uma taxa de cancelamento de 4%. Da pesquisa de satisfação o resultado obtido foi, que  95% dos pacientes relataram o atendimento como sendo bom ou muito bom.

Além disso, outro resultado favorável foi a economia de $ 219.199,55 Euros em hospitalizações. Desse valor, $ 113.804,29 Euros correspondem a hospitalizações evitadas por atendimento prévio, logo, a melhoria da agilidade de atendimento determinou valor expressivo enonomizado, o que deve ser considerado relevante frente a escassez de recursos da saúde. O estudo conclui que o HD na área da cardiologia foi custo-efetivo em relação a apenas a assistencia tradicional oferecida e manteve a qualidade de atendimento com os pacientes. Houve considerável diminuição de despesas com a implantação do HD, resultado da diminuição de internações inadequadas ou, então, com as postergações de atendimentos de procedimentos mais simples.

 

Leia o ARTIGO.

 

Edição: Luiz Sérgio Dibe



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