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23/11/2018

Grand Round aborda valor da vida sob perspectiva da Saúde

A comunidade acadêmica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre debateu nesta quata-feira, durante o Grand Round, diferentes olhares sobre o tema "Quanto vale uma vida", através de aspectos éticos, financeiros, morais e de políticas públicas. “A vida não tem preço, mas existe um custo envolvido na perspectiva das políticas de saúde”, sustentou a coordenadora do Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (INCT/IATS) e chefe da Unidade de Cuidados Coronarianos do HCPA, professora Carisi Anne Polanczyk. Ela apresentou o conceito de relação custo-efetividade, utilizado para avaliar a viabilidade econômica para incorporação de novas tecnologias. Carisi pontuou a dificuldade de tomar decisões em um cenário em que os recursos são finitos e e todas as vidas tem valor inestimável.

O chefe do Serviço de Bioética do HCPA, José Roberto Goldim, por sua vez, destacou a diferença de visões sobre o tema e os dilemas gerados no cotidiano. Enquanto quem está em postos de gestão precisa pensar no todo, de maneira despersonalizada, o profissional que atende diretamente a um paciente foca no indivíduo. Para Goldim, políticas claras podem auxiliar muito se construídas racionalmente.

Para o psiquiatra e Professor Emérito da UFRGS, Cláudio Eizirik, o ensinamento da cultura judaica contido no Talmude exemplifica a perspectiva humanista e filosófica acerca do tema debatido. "Quem salva uma vida salva o mundo inteiro”, disse. Para Eizirik, não pe possível calcular objetivamente quanto vale uma vida. "Lidamos com coisas que não deveriam ser perdidas. O potencial de uma vida é imprevisível. O emprego de todos os recursos possíveis para salvar uma criança pode legar à humanidade um novo Mozart ou um novo Pelé; contudo poderá legar um novo Hitler ou um novo Stalin", mencionou.

No âmbito das políticas públicas, o representante da senadora Ana Amélia Lemos, Luciano Machado, contribuiu com informações relativas ao PLS 200/2015, o qual dispõe sobre a pesquisa clínica com seres humanos e institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa Clínica com Seres Humanos; e ao PLS 415/2015, que dispõe sobre a regulamentação do indicador ou parâmetro de custo-efetividade utilizado na análise das solicitações de incorporação de tecnologias em saúde. Ambos tramitam no congresso e aguardam apreciação em comissões parlamentares.

 

Edição: Luiz Sérgio Dibe

Informações: Coordenadoria de Comunicação Social do HCPA

Colaborou: Jornalista Rodrigo Wenzel

Fotos: Clóvis Prates