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18/10/2018

Pesquisadoras do IATS recebem Ordem Nacional do Mérito Científico

Oitenta e cinco personalidades da ciência, tecnologia e inovação receberam, nesta quarta-feira, honrarias referentes à Ordem Nacional do Mérito Científico. Dentre pesquisadores, professores e dirigentes de entidades, Maria Inês Schmidt (IATS/UFRGS) e Celina Maria Turchi Martelli (IATS/UPE/Fiocruz-PE) passaram a integrar a lista de personalidades, condecoradas com a honraria concedida pelo paísl, por sua contribuição ao desenvolvimento científico e tecnológico.

Trata-se da mais importante condecoração na área científica e tecnológica do Brasil. Instituída em 1993, a honraria reconhece cientistas e personalidades, nacionais e estrangeiros, por darem grandes contribuições ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia.

 

Maria Inês Schmidt

Natural de Novo Hamburgo/RS, Maria Inês mudou-se para Porto Alegre em 1968 para cursar a Faculdade de Medicina. Foi monitora de Fisiologia até se formar em 1973. Foi residente de Endocrinologia na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e clinical and research fellow em pediatria endocrinológica na Johns Hopkins University. Interessada no tratamento de pessoas com diabetes instável, descreveu o “dawn phenomenon”, uma tendência hiperglicêmica no alvorecer que dificulta a esquematização do tratamento insulínico. O fenômeno é bem reconhecido na prática clínica, tendo sido incorporado em vários livros-texto.

A partir dessa pesquisa inicial, recebeu um New Investigator Award do National Institutes of Health, que lhe possibilitou realizar estudos de mestrado e doutorado em epidemiologia na University of North Carolina. Desenvolveu vários estudos colaborativos dedicados ao diabetes. Entre eles, coordenou o Estudo Brasileiro de Diabetes Gestacional, promovido pelo Ministério da Saúde, e que produziu vários artigos em revistas como Lancet, Diabetes Care, Diabetologia, entre outras. Seu artigo mais citado (317 citações), publicado no Lancet, mostrou pela primeira vez que um estado de inflamação crônica e branda precede e prediz o desenvolvimento de diabetes em adultos. Sua linha de investigação atual focaliza o entendimento desse processo no contexto das epidemias de obesidade, diabetes e doença cardiovascular.

Marca importante de sua trajetória profissional é a parceria com Bruce Duncan, que conheceu quando estava na Johns Hopkins University, com quem casou e teve dois filhos, Michael e Laura e, com quem vive há 25 anos em Porto Alegre. Iniciou sua carreira universitária na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1975 onde atua até o presente. Participou desde o início do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médica da UFRGS (conceito 5), colaborando para a nucleação de docentes em 4 programas de saúde coletiva no RS. Mais tarde, em 2000, coordenou a implantação do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFRGS (conceito 5). Nos dois programas, orientou 1 pós-doutor, 14 doutores e 16 mestres. É também adjunct associate professor da University of North Carolina. Sua produção científica no ISI registra 110 artigos, com 2229 citações (índice H 24).

Maria Inês é integrante da Sociedade Americana de Diabetes, Sociedade Européia de Diabetes, Federação Internacional de Diabetes, Sociedade Brasileira de Diabetes, Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (Abrasco) e International Epidemiology Association. Foi presidente do International Diabetes Epidemiology Study Group (2004-2006) da International Diabetes Federation. Foi presidente do XVIII Congresso Mundial de Epidemiologia e VII Congresso Brasileiro de Epidemiologia. É co-editora do livro Medicina Ambulatorial: Condutas de Atenção Primária Baseadas em Evidências, atualmente em sua 3ª edição (2004) e com ampla circulação no país. Participou da elaboração de diretrizes clínicas para a Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde, Federação Internacional de Diabetes e Sociedade Brasileira de Diabetes, entre outros. É pesquisador CNPq 1-A, tendo participado em Comitês da CAPES e CNPq. É atualmente coordenadora da Comissão de Epidemiologia da Abrasco. Recebeu alguns prêmios pelas suas pesquisas realizadas, destacando-se o Prêmio Conrado Wessel em Medicina em 2004.

 

Celina Maria Turchi Martelli

Graduou-se em medicina (1981) pela Universidade Federal de Goiás (UFG), possui mestrado em epidemiologia pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, localizada na Inglaterra, e doutorado em saúde pública (1995) pela Universidade de São Paulo (USP). Possui experiência na área de epidemiologia das doenças infecciosas.

Dentre os prêmios e títulos recebidos, destacam-se: Honra ao Mérito (1994), concedida pela Academia Goiana de Medicina; Destaque na área de Saúde (2003), concedido pela Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia; Comenda da Ordem do Mérito Anhanguera (2007), concedida pelo Governo do Estado de Goiás.

Em 2016, Celina foi eleita uma das dez personalidades mais influentes no ciência pela Revista Nature (2016) em decorrência da carreira e pelo destacado trabalho de reconhecimento da relação entre Zika e microcefelia em bebês.

Também obteve a medalha do Mérito Heroínas do Tejucupapo (2017), concedida pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); e foi eleita entre as 100 pessoas mais influentes pela Revista TIME (2017).

 

Processo de escolha

Os condecorados deste ano foram escolhidos por uma comissão técnica constituída por nove membros designados pelo chanceler, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela SBPC. O grupo selecionou pesquisadores nas áreas de ciências biológicas, biomédicas, da terra, agrárias, química, matemática, da saúde, sociais e humanas, tecnológicas e engenharias.

Os membros da Ordem receberam diploma e um conjunto de peças que compõem as insígnias, que podem ser dos graus Grã-Cruz e Comendador. A Ordem Nacional do Mérito Científico e Tecnológico também concedeu medalha de prata a órgãos e entidades públicas e privadas que tenham prestado serviço de relevância no campo da ciência, tecnologia e inovação.

Os membros da Ordem recebem diploma e um conjunto de peças que compõem as insígnias, que podem ser dos graus Grã-Cruz e Comendador. A Ordem Nacional do Mérito Científico e Tecnológico também concede medalha de prata a órgãos e entidades públicas e privadas que tenham prestado serviço de relevância no campo da ciência, tecnologia e inovação.

 

Veja aqui e aqui todos os agraciados com a Ordem do Mérito Científico de 2018.

 

Edição: Luiz Sérgio Dibe