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18/09/2018

MedTrop2018: Custo da Leishmaniose Visceral no Brasil

Pesquisadora Maria Regina Fernandes de Oliveira, coordenadora do IATS na unidade do INCT instalada na Universidade de Brasília (UnB), apresenta relato sobre o 54º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop 2018), que ocorreu de 2 a 5 de setembro de 2018, em Recife/PE.

 

Custo da Leishmaniose Visceral no Brasil

"Apresentei o trabalho de análise de custo-efetividade de esquemas terapêuticos para a leishmaniose visceral, durante mesa-redonda que discutiu ATS e doenças infecciosas e parasitárias. Os resultados preliminares evidenciam excelente relação de custo-efetividade em relação aos desfechos: a) falha terapêutica precoce evitada;  e b) cura final da leishmaniose, aos 180 dias, do esquema proposto de Anfotericina B lipossomal como droga de primeira linha; a droga entraria em substituição ao Antimônio de Meglumina, recomendado como primeira linha, mais barato, porém mais tóxico e menos eficaz (ou de eficácia semelhante)", explica a pesquisadora.

Maria Regina conta que o estudo é parte de tese de doutorado da doutoranda da UnB, Ísis Poliana Ferreira de Carvalho, cujo primeiro produto foi o "Custo da Leishmaniose Visceral sob as perspectivas do Sus e da Sociedade". Esse produto já foi publicado na revista Tropical Medicine & International Health, em outubro de 2017. O estudo de custo-efetividade, segundo a pesquisadora, será finalizado para publicação futura.

Conheça o ARTIGO e leia, abaixo, o Resumo.

OBJETIVO:

Estimar os custos diretos e indiretos brasileiros da leishmaniose visceral humana (LV) em 2014.

 

MÉTODOS:

Estudo custo-doença no sistema público de saúde brasileiro e perspectiva societária. Foram considerados os casos de LV registrados no Sistema de Informações de Agravos de Notificação no ano de 2014. Os custos médicos diretos em relação ao diagnóstico, tratamento e cuidados prestados aos pacientes com LV foram estimados pela abordagem top-down. Os custos indiretos relacionados à perda de produtividade devido à mortalidade e morbidade prematura foram estimados por meio do método de capital humano.

 

RESULTADOS:

Em 2014, 9895 casos suspeitos de LV foram notificados no Sistema de Informações de Agravos de Notificação, e 3453 foram posteriormente confirmados. Houve 234 pacientes com coinfecção por Leishmania-HIV submetidos a profilaxia secundária. O custo total da LV no Brasil foi de US $ 14 190 701,50 (US $ 14 189 150,10 a 14 199 940,53), que variou de acordo com a análise de sensibilidade. O total de despesas médicas diretas correspondeu a US $ 1.873.681,96 (US $ 1 872 130,55 a 1 882 920,99), e a maioria dos custos foi associada a hospitalização (40%), seguida por tratamento (22%) e profilaxia secundária ( 18%). A perda de produtividade correspondeu a US $ 11 421 683,37 para mortalidade prematura e US $ 895 336,18 para ausência no trabalho devido a hospitalização pela doença.

 

CONCLUSÕES:

A LV representa um problema de saúde caro para o sistema público de saúde brasileiro e para a sociedade, principalmente por causa de sua perda de produtividade devido à mortalidade prematura. Intervenções para reduzir a letalidade por LV podem ter um grande impacto na redução do custo da doença.

 

Edição: Luiz Sérgio Dibe