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24/11/2017

Bolsista do IATS relata atividade do 8º CBTms

O documento de estratégia e-Saúde para o Brasil foi publicado este ano (2017) pelo Ministério da Saúde e consiste em um conjunto de ações previstas até 2020 para implementação e fortalecimento da informatização dos processos administrativos e assistenciais do SUS nos níveis municipal, estadual e federal. Este documento foi construído com base em quatro pilares - Governança e Recursos Organizacionais; Padrões e Interoperabilidade; Infraestrutura e Recursos Humanos – a fim de modernizar a gestão de recursos e melhorar o atendimento à população. 

O painel "Planejamento estratégico da e-Saúde no Brasil" foi coordenado pela presidente da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, Beatriz de Faria Leão, e contou com a participação de Juliana Zinader, da Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde, Lincoln de Assis, diretor associado da Accenture e Paulo Lopes, representante da Rede Universitária de Telemedicina - RUTE / RNP. 

As discussões em torno da estratégia e-Saúde no Brasil concentraram-se na questão levantada por Paulo, sobre como dar sustentabilidade ao modelo proposto, frente às desigualdades encontradas no país. Neste contexto, os quatro pilares do documento subsidiaram os principais desafios para o sucesso da política de e-Saúde e foram amplamente debatidos entre os painelistas. 

Alinhado a estes pilares, Juliana apresentou o projeto DigiSUS, proposto pelo atual Ministro da Saúde, Ricardo Barros, cujo objetivo é informatizar todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do país até 2018. O DigiSUS pretende conectar todas as pontas da atenção primária, promovendo a economia de gastos com a não repetição de exames e consultas e permitindo o direcionamento destes recursos economizados para avanço das instituições de média e alta complexidade. 

Sobre padrões e interoperabilidade, Lincoln destacou que a variedade de Sistemas de Informação em Saúde (SIS) não é um problema, pois a redundância entre os SIS promove a competição e a busca por melhores soluções no mercado. Desta forma, ter um sistema ou dez sistemas não é empecilho, mas a falta de comunicação entre eles, sim. O Brasil possui a Portaria nº 2.073 que regulamenta o uso de padrões interoperabilidade e informação em saúde para sistemas de informação, entretanto, ainda possui baixa adesão por parte dos desenvolvedores de SIS. 

Foi consenso entre os participantes que a formação de recursos humanos é um ponto crítico que precisa ser incitado pelas esferas governamentais, academias e até pelo setor de saúde privado, de forma a preparar e inserir os profissionais de saúde e informática às novas mudanças decorrentes da estratégia de e-Saúde. Cursos de especialização oferecidos pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês tem proporcionado este aprendizado e tendem a alcançar cada vez mais profissionais em suas ofertas.

Thábata Queiroz Vivas de Sá  é especialista em Informática em Saúde.