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18/08/2017

Curso Metanálise de Rede de Evidências formou gestores e profissionais responsáveis pela incorporação de Tecnologias em Saúde no Brasil

A professora estrangeira convidada para lecionar no Curso Metanálise de Rede de Evidências, Romina Brignardello-Petersen (foto acima), afirmou ao final da jornada de formação que "o caminho para o desenvolvimento da ciência passa pelo treinamento das pessoas". Ela lecionou aulas, nos dias 10 e 11 de agosto, para ensinar aos participantes estratégias de utilização da metodologia, na pesquisa e na atividade profissional.

Romina, que atua na Universidade McMaster (Canadá), também considerou que Brasil, Chile e Argentina são os países com melhores níveis de desenvolvimento em Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), na América Latina, e disse que a capacitação permanente de recursos humanos poderá aproximar as nações em desenvolvimento do nível de qualidade atualmente praticado em países da Europa e América do Norte. Ela, contudo, reconheceu que há um longo trajeto a ser trilhado pelas nações latino-americanas. “Para alcançarem níveis melhores é fundamental ensinar e treinar as pessoas”, sentenciou.

O Curso Metanálise de Rede de Evidências ocorreu entre os dias 7 e 11 de agosto, na sede do IATS, em Porto Alegre/RS, e formou 20 gestores e profissionais de Saúde que atuam no ambiente de decisão sobre incorporação de tecnologias. A atividade foi promovida pelo Ministério da Saúde e pelo Hospital Moinhos de Vento (HMV), por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), em parceria com o IATS.

Para a nutricionista Regina Kuhmmer Notti, que trabalha no Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do HMV, avaliando produtos tanto para os serviços da instituição quanto para o Sistema Único de Saúde, havia falta de entendimento sobre Metanálise de Rede de Evidências. “Em algumas situações, não temos a disponibilidade da evidência para a comparação direta das tecnologias. Esta metodologia supre esta lacuna”, avaliou.

Metanálises de Rede de Evidências são aplicadas em cenários clínicos onde existem diversas opções terapêuticas disponíveis. É uma ferramenta constituída sob técnicas estatísticas que permitem a construção de uma evidência oriunda da análise de múltiplas tecnologias.

Na visão da farmacêutica Natália Freitas (foto abaixo, ao centro), que atua no Centro Colaborador do SUS na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a formação oferecida pelo Proadi possibilitará a avaliação sobre a qualidade das informações apresentadas como evidências nos estudos encaminhados a sua unidade de trabalho. “O entendimento sobre este método será fundamental para tomada de decisões”, definiu.

Analista em Ciência e Tecnologia do CNPq, Wayne Beskow apontou que a formação coloca os gestores e os profissionais em uma posição mais segura para “analisar e identificar as inconsistências contidas nos artigos científicos” e para “determinar a força de recomendação da evidência constituída”. Evelinda Trindade, representante da Faculdade de Medicina da USP e da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, ponderou que, mesmo sendo “uma evidência de menor qualidade”, a evidência oriunda da Metanálise de Rede “será a melhor evidência disponível”, sendo útil para decisões.

Alessandro Campolina, médico integrante da Comissão para Incorporação de Tecnologias no Instituto do Câncer do Estada de São Paulo (Icesp), disse acreditar que o novo conhecimento será amplamente utilizado na avaliação sobre “incorporação de fármacos”, cuja submissão de propostas é, segundo ele, “muito dinâmica numa instituição especializada no tratamento do câncer”.

Pesquisadoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Rosa Luchetta e Helena Borba indicaram que a apreensão de habilidades das Metanálises de Rede de Evidências as proverá da capacidade de “aumentar o nível de confiabilidade para avaliação e produção de estudos”. Ambas profissionais de Farmácia, também destacaram que a maior confiabilidade dos estudos contribui para “integrar a produção da Academia com as reais demandas da sociedade brasileira”.

PROFESSORES: Rodrigo Ribeiro (IATS), Romina Petersen (McMaster University), Patrícia Ziegelmann (IATS/UFRGS), Maicon Falavigna (IATS/HMV)

FORMANDOS: gestores e profissionais de diversas instituições e diferentes localidades do país

 

Texto e edição: Luiz Sérgio Dibe

Foto: Leonardo Lenskij