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09/02/2017

Porto Alegre (RS) escala pesquisador na gestão municipal da Saúde para enfrentar o desafio das restrições orçamentárias

Com meta de fortalecer e qualificar a Atenção Primária à Saúde, o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Erno Harzheim, assumiu em janeiro deste ano o desafio de transportar para a gestão pública o conhecimento adquirido em quase duas décadas de atuação acadêmica. Epidemiologista e pesquisador do Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS), Harzheim foi nomeado Secretário de Saúde de Porto Alegre, sobretudo em virtude do reconhecimento ao seu trabalho como coordenador do Programa TelessaúdeRS-UFRGS, cujas habilidades e experiências desenvolvidas nos últimos anos poderão ser implementadas como componentes de políticas públicas nacionais e também na Capital do Estado do Rio Grande do Sul.

“Trazer sistemas de informação para o controle das atividades é fundamental. Sabemos que os recursos são insuficientes para cobrir todas as demandas, por isso, com uso de ferramentas de tecnologias de informação e comunicação, vamos reduzir os gastos em ações que não são prioritárias para podermos concentrar o máximo de recursos nas ações essenciais da atenção primária”, aponta.

O secretário revela que a informatização da assistência municipal, em todos os níveis, precisará avançar do nível atual - onde os sistemas se concentram em armazenar registros dos processos de atendimento aos pacientes - para “um modelo capaz de registrar fluxos de pessoas, informações e recursos financeiros empregados nas ações para permitir o cálculo econômico das atividades para que os serviços sejam praticados da forma mais custo-efetiva possível”, descreve o secretário e pesquisador.

Erno não fala do tema como quem o conhece superficialmente. Como coordenador do TelessaúdeRS-UFRGS, programa que concedeu notoriedade ao seu trabalho, ele e sua equipe conseguiram reduzir para menos da metade a fila de espera por consultas especializadas reguladas pelo Estado. Eram 197 mil pessoas inscritas para consultas, em 2014, quando o programa iniciou suas atividades (Leia IATS News 48 / Edição de Dezembro de 2014). Passaram a ser cerca de 90 mil pacientes no final do ano passado, quando o programa já havia atingido sua maturidade e rendia publicações de seus métodos e resultados em periódicos científicos (Leia IATS News 67 / Edição de Julho de 2016).

O TelessaúdeRS-UFRGS incrementou a resolutividade das consultas primárias, através das teleconsultorias com especialistas disponibilizadas na central do programa, permitindo que a atenção especializada seja concentrada em casos de real necessidade de médicos especialistas. Além da redução da fila, a ação também resulta na diminuição do tempo de espera. Consultas que levavam meses para ocorrer, agora acontecem no prazo de três a quatro semanas.

“Não há mágica. O que existe é aplicação de inteligência ao trabalho, capacitação das pessoas para os processos, compartilhamento das responsabilidades nos diversos níveis da hierarquia na estrutura do serviço”, argumenta. Os resultados do TelessaúdeRS-UFRGS, que cativaram o olhar do recém eleito prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, e o fizeram convidar um pesquisador para ser gestor, continuam sendo sistematizados em registros acadêmicos, teses e artigos científicos.

Para o professor, a grande meta é colocar este acervo de conhecimento adquirido com a pesquisa científica à disposição da estrutura de gestão para que a melhora nos serviços não seja apenas percebida de forma empírica pelos profissionais e produza sentimentos de acolhimento e satisfação entre os pacientes. “Vamos fazer com que os processos sejam sistematizados e as evidências científicas sejam incorporadas ao fazer cotidiano, com percepção, adaptação e avaliação de seu impacto sobre os processos”, define. “Esse é o grande desafio. Trazer para dentro da gestão a evidência, o melhor conhecimento disponível, sistematizá-los na perspectiva das políticas de saúde, no melhor fluxo financeiro e na melhor utilização dos recursos”, conclui Erno Harzheim.

 

Texto e edição: Luiz Sérgio Dibe

Foto: Cristine Rochol/PMPA