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15/06/2016

OMS mantém alerta global contra Zika e seu impacto na Saúde Pública

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a continuidade da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional sobre Zika. A decisão ocorreu ontem após reunião do Comitê de Emergência convocado no marco do Regulamento Sanitário Internacional sobre o vírus zika e o aumento observado em distúrbios neurológicos e malformações neonatais, em Genebra, Suíça. O grupo avaliou os potenciais riscos de transmissão do zika em eventos de massa, como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

De acordo com o escritório brasileiro da OMS, o Comitê concordou com o consenso científico internacional, alcançado desde sua última reunião, de que o vírus Zika é a causa da microcefalia e da Síndrome de Guillain-Barré e, consequentemente, que a infecção pelo vírus e seus outros distúrbios neurológicos e congênitos associados são uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. O Comitê reafirmou a recomendação já fornecida à Diretora-Geral em sua segunda reunião nas áreas de pesquisa de saúde pública sobre microcefalia, outros distúrbios neurológicos e vírus Zika, vigilância, controle vetorial, comunicação de risco, cuidados clínicos, medidas de viagem e pesquisa e desenvolvimento de produtos.

O Comitê apontou que eventos de massa, como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, podem reunir um número significativo de indivíduos suscetíveis e apresentar riscos para os próprios indivíduos, podendo resultar no aumento da transmissão e contribuir potencialmente para a propagação internacional de uma doença transmissível a depender de sua epidemiologia, os fatores de risco presentes e as estratégias de mitigação em andamento. No contexto do vírus Zika, o Comitê observou que os riscos individuais em áreas de transmissão são os mesmos independente de um evento de massa estar ocorrendo ou não, e podem ser minimizados por meio de boas medidas de saúde pública. O Comitê reafirmou e atualizou seu parecer à Diretora-Geral sobre a prevenção da infecção por viajantes internacionais, da seguinte forma:

- Mulheres grávidas devem ser aconselhadas a não viajar para áreas onde há surtos do vírus zika; gestantes cujos parceiros sexuais vivem ou viajam para áreas onde há epidemia do vírus devem garantir práticas sexuais seguras ou se abster de sexo durante a gestação.

- Viajantes que irão para áreas onde há surto do vírus zika devem ser aconselhados e atualizados sobre os potenciais riscos e sobre as medidas a serem tomadas para reduzir a possibilidade de exposição à picada do mosquito e transmissão sexual e, ao retornarem, devem tomar as medidas apropriadas, incluindo a prática de sexo seguro para reduzir o risco de continuar a transmissão.

- A Organização Mundial da Saúde deve atualizar com regularidade suas orientações sobre viagens com a evolução das informações sobre a natureza e a duração dos riscos associados à infecção pelo vírus zika.

- Com base nas evidências existentes sobre a atual epidemia do vírus zika, sabe-se que esse vírus podem se propagar internacionalmente e estabelecer novas correntes de transmissão em áreas onde o vetor está presente. Ao focar nos potenciais riscos associados aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, o Comitê revisou as informações fornecidas pelo Brasil e assessores especialistas em arboviroses, a propagação internacional de doenças infecciosas, medicamentos de viagem, eventos de massa e bioética. O Comitê concluiu que existe um risco muito baixo de propagação do vírus zika como resultado dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos porque o Brasil sediará os Jogos durante o inverno brasileiro, época em que a intensidade de transmissão autóctone de arboviroses, como dengue e vírus zika, será mínima e as medidas de controle vetorial estão sendo intensificadas dentro e ao redor dos locais dos Jogos, o que deve reduzir ainda mais o risco de transmissão.

 

Edição: Luiz Sérgio Dibe