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02/05/2016

CÂNCER: Especialistas destacam prevenção e comunicação

A sociedade brasileira precisa pensar em novas práticas, modelos de financiamento e estratégias de comunicação para a prevenção e enfrentamento dos diversos tipos de câncer. Esta foi uma das abordagens no I Fórum de Oncologia para Jornalistas, promovido no último sábado pelo A. C. Camargo Cancer Center, em São Paulo. Na atividades - que reuniu médicos, profissionais da Saúde e da Comunicação Social - foi dividida em cinco conferências, nas quais os especialistas expuseram visões atualizadas sobre os processos clínicos, atividades de pesquisa e ensino, e a interface destas frentes com a necessidade de divulgar informação para a sociedade.

“Nossa sociedade precisa discutir muito sobre a demanda de informação sobre o câncer. O melhor investimento que se pode fazer ainda é o investimento em prevenção. Devemos pensar meios de investimentos, sobretudo, na prevenção primária”, destacou o cirurgião Oncologista e diretor do Núcleo de Pulmão e Tórax do A.C. Camargo, Jefferson Luiz Gross, durante a conferência “Epidemiologia e Prevenção do Câncer”, que abriu os trabalhos do Fórum.

Para Gross, é fundamental que a sociedade, representada por suas instituições e entidades, aborde com ênfase a questão dos fatores de risco. “Informação e educação continuam mais importantes do que qualquer avanço científico e tecnológico que tenhamos. A abordagem sobre o tabagismo é um modelo importante. Sabemos que, ao evitarmos que as pessoas fumem, estaremos prevenindo casos futuros de câncer. Se a indústria age, abordando nossos adolescentes, vamos chegar na frente e educar as crianças para que não fumem”, apontou Gross.

Segundo ele, as estratégias de Comunicação empreendidas na sociedade norte-americana fizeram com que o consumo do tabaco nos EUA tivesse queda de 25% nos últimos anos. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), estimativas para 2016 indicam que o Brasil terá 17,33 mil novos casos de câncer de traqueia, brônquios e pulmões entre homens e 10.890 entre mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 17,49 casos novos a cada 100 mil homens e 10,54 para cada 100 mil mulheres.

 

AGROTÓXICOS SÃO FATOR DE RISCO POUCO ESTUDADO

Ainda durante a primeira conferência “Epidemiologia e Prevenção do Câncer” foi abordado o risco do uso de agrotóxicos na produção dos alimentos. Para o cirurgião Oncologista e diretor do Programa de Residência Médica do A. C. Camargo, Samuel Aguiar Junior, há indicativos de que o consumo de alimentos com carga de agrotóxicos gera prejuízos para a saúde. “O problema é que não sabemos sobre resíduos que ficam na comida e como eles irão interagir em nosso organismo. São necessários mais estudos nesta área”, afirmou Aguiar Junior.

"Sabemos que é impossível, para a realidade atual, alimentar toda a humanidadeapenas com alimentos orgânicos, mas toda escolha é importante na hora da decisão sobre o que vamos comer. A imprensa tem papel importante em disseminar informação, que deve ser buscada com fontes especializadas e orientada pela melhor evidência disponível", completou o cirurgião Oncologista e vice-presidente da instituição, Ademar Lopes.

Conforme o Inca, estimam-se, para 2016, no Brasil, 16,66 mil casos novos de câncer de cólon e reto em homens e de 17,62 mil em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 16,84 casos novos a cada 100 mil homens e 17,10 para cada 100 mil mulheres.

Também foram conferencistas os cirurgiões oncologistas João Pedreira Duprat Neto (diretor do Núcleo de Câncer de Pele) e Glauco Baiocchi Neto (diretor do Departamento de Ginecologia Oncológica).

 

Texto e edição: Luiz Sérgio Dibe