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31/03/2016

Revisão sistemática sobre sono aponta risco para idosos

Sono de longa ou curta duração aumenta o risco de morte para pessoas idosas. Tal evidência científica - produzida a partir da revisão sistemática de 27 estudos de coorte que avaliaram mais de 77 mil indivíduos provenientes de diversos países - é resultado de metanálise realizada por pesquisadores do Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS/HCPA/UFRGS). Os pesquisadores constataram que indivíduos idosos (com 60 anos ou mais) que dormem mais do que 8, 9 ou 10 horas durante a noite apresentam risco de morrer 33% maior do que indivíduos que dormem 7 ou 8 horas. Da mesma forma, idosos que dormem menos de 7 horas por dia apresentam risco de morrer 6% maior do que indivíduos idosos que dormem, diariamente, 7 horas ou mais. Além de mortalidade por qualquer causa, a duração longa do sono também aumenta o risco de mortalidade por doença cardiovascular em 43%. Os achados foram recentemente publicados no periódico internacional BMJ Open.

A pesquisa avaliou estudos publicados entre 1980 e 2015 e selecionou dados oriundos de 27 artigos publicados sobre o sono de mulheres e homens, com mais de 60 anos de idade, em países como Inglaterra, Espanha, Holanda, Suécia e Finlândia, na Europa; Israel, Japão, China, Taiwan e Coreia, na Ásia; Brasil e Estados Unidos, nas Américas.

Conforme a pesquisadora Professora Sandra Fuchs (foto), embora os resultados não investiguem as causas para o aumento do risco de mortalidade, “fatores como sedentarismo, obesidade, diabetes mellitus e hipertensão podem estar associados”, explica. “O objetivo deste estudo foi mapear a relação do sono com riscos de morte. Nesta perspectiva, foi possível observarmos evidências coincidentes em diferentes cenários, para indivíduos de ambos os sexos, diversas culturas, etnias e regiões do mundo”, complementa a Professora Sandra Fuchs.

Para ela, os resultados reforçam a necessidade da adoção de hábitos saudáveis durante a vida. “Pelos resultados do estudo e também pelas informações contidas em outros artigos, devemos recomendar que os idosos durmam, ao menos, mais de 6 horas por dia e não excedam o tempo de sono em mais de 9 horas. Indivíduos que dormem muito possuem menos tempo para outras atividades. É preciso organizar o tempo para construir uma rotina que torne a vida dos idosos mais prazerosa. Que possam praticar atividade física, manter relações sociais e vínculos afetivos”, define a pesquisadora.

Além dela, assinam o artigo os pesquisadores Andressa Alves da Silva e Camila Wohlgemuth Schaan, Professor Flávio Danni Fuchs, coordenador-geral do IATS, Professor Renato Gorga Bandeira de Mello e Professora Susan Redline, da Universidade de Harvard, cientista norte-americana líder em pesquisa nessa área.

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Texto e edição: Luiz Sérgio Dibe