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11/02/2016

Projeto Prever 2 publica resultados no Journal of Hypertension

A associação de diuréticos Clortalidona e Amilorida demonstrou-se mais eficaz do que o tratamento com a medicação Losartana, convencionalmente utilizada no Brasil e em outros países para o controle da hipertensão arterial. O dado é parte dos resultados do estudo Prever 2, cujo ensaio clínico randomizado rastreou cerca de 18 mil pacientes para investigar alternativas para prevenção e enfrentamento das doenças cardiovasculares. A informação está publicada na edição de janeiro do Journal of Hypertension.

O trabalho envolveu 22 centros acadêmicos localizados em 10 estados brasileiros, onde os pesquisadores acompanharam a trajetória clínica de quase duas mil pessoas, das quais 665 foram inseridas nas duas propostas de tratamento para que os pesquisadores pudessem comparar o desempenho das medicações. "A associação dos dois diuréticos apresentou eficácia superior ao tratamento com o bloqueador de receptor de angiotensina (Losartan), conduzindo a maior parte dos pacientes a níveis de pressão arterial considerados bons, próximos ou abaixo da pré-hipertensão", conta Flávio Fuchs (foto abaixo), coordenador-geral do Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS) e responsável pelo projeto Prever 2.

Cardiologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fuchs é um entusiasta da utilização de diuréticos no enfrentamento da hipertensão, conduzindo nos últimos anos, diversas pesquisas nesta área. "Esta associação que propusemos no estudo é uma alternativa inovadora. Além de controlar os níveis de pressão arterial com mais eficácia que o Losartan, ela também funciona como poupadora de potássio, cuja perda significativa pode acarretar a elevação do nível de glicose no sangue, aumentando o risco para o desenvolvimento do diabetes", aponta o pesquisador.

Fuchs acredita que as evidências científicas ora publicadas irão contribuir - juntamente com outras evidências recentemente produzidas - para que as sociedades, em diversos países, inclusive o Brasil, rediscutam sua estratégia de tratamento da hipertensão. "Muito provavelmente, quem iniciar o controle da hipertensão com diuréticos terá um resultado de saúde melhor para prevenir infartos, AVCs e insuficiência cardíaca", conclui.

 

Texto e edição: Luiz Sérgio Dibe