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11/11/2015

Atividade física elimina medicamento para hipertensão resistente

Exercício físico de intensidade leve, estruturado e monitorado por profissionais de Educação Física, constitui terapia eficiente para o enfrentamento da hipertensão de difícil controle. São casos nos quais o paciente não controla os níveis de pressão arterial, apesar do uso de três medicamentos diferentes por dia.

O estudo realizado com pacientes com idades entre 35 e 60 anos, no Centro de Pesquisa Clínica do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), verificou que atividade física leve levou os indicadores de pressão arterial para níveis considerados saudáveis, o que pode ser um importante recurso para evitar o uso adicional de medicamentos ou mesmo prevenir a ocorrência de complicações cardiovasculares.

“Quando os pacientes fizeram exercício de esforço leve, a redução de pressão obtida ao longo do dia foi de aproximadamente 4 mmHg (milímetros de mercúrio) para as pressões sistólica e diastólica. Isso é semelhante ao efeito induzido por tratamentos farmacológicos para hipertensão, porém, o exercício tem baixa taxa ou nenhum efeito colateral significativo”, comemora o educador físico e pesquisador do Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS/HCPA), Daniel Umpierre.

A nova evidência constituída, explica Umpierre, foi apresentada para médicos e pesquisadores de diversas nacionalidades durante o congresso da American Heart Association (Associação Americana do Coração), em Orlando/EUA, na sessão científica do dia 10 de novembro. O congresso é um dos eventos internacionais de ciência médica mais concorridos do mundo, pelo seu alto impacto de reconhecimento à produção acadêmica nas áreas de inovação e pesquisa em Cardiologia.

 

 

A PESQUISA

Para o desenvolvimento da nova evidência sobre atividade física e controle da hipertensão, foram investigadas reações de pacientes voluntários em três diferentes condições: sob uma carga de exercícios com intensidade média (moderada), depois sob carga leve de exercícios e, por fim, sem nenhum exercício.

“A comparação das medições apontou que a carga leve de exercício, praticado na bicicleta ergométrica, foi a mais eficaz para controlar a pressão. Isso soma-se a outros benefícios promovidos pela atividade física, tais como auxílio no controle da glicemia, melhora no sono e na qualidade de vida”, aponta o professor de Educação Física e doutorando da UFRGS, Lucas Porto Santos, co-autor da pesquisa.

Segundo ele, embora seja amplo o reconhecimento de que a atividade física contribui para a saúde de todas as pessoas - inclusive dos hipertensos - a avaliação sobre a carga de exercícios mais eficiente para tratar a hipertensão de difícil controle representa uma “animadora novidade no campo dos estudos sobre atividade física e doenças cardiovasculares”, indica o doutorando.

“A pesquisa ainda demonstra que as intensidades leves e moderadas de exercício foram muito bem toleradas por esse grupo de pessoas. O controle da pressão arterial nos hipertensos resulta em menor exposição a eventos cardiovasculares graves como infartos e AVCs, o que representará menor impacto econômico sobre o sistema público de saúde e manutenção de força produtiva ativa na sociedade”, conclui Lucas.

 

A HIPERTENSÃO

 - A hipertensão atinge mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, sendo que no Brasil, mais de 30% da população adulta é hipertensa. Destes, estima-se que entre 3% e 12% sejam resistentes ao tratamento exclusivamente farmacológico. 

- Estima-se que 51% dos óbitos decorrentes de acidente vascular cerebral e 45% dos óbitos decorrentes de infartos podem ser atribuídos a níveis não-otimizados de pressão arterial. Ou seja, o descontrole da pressão arterial implica na morte precoce de cerca da metade dos hipertensos que não conseguem regular este problema de saúde.

 

 

Texto e edição: Luiz Sérgio Dibe