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28/10/2015

Coordenador do Criosfera defende projeto dos INCTs

O coordenador do INCT Criosfera, Jefferson Simões, foi recebido pelo presidente da Islândia, Ólafur Ragnar Grímsson, durante o encontro “Arctic Circle”, que aconteceu entre os dias 18 e 19 de outubro, na cidade de Reykjavik. No encontro foram tratados assuntos relacionados às rápidas mudanças ambientais, econômicas, sociais e políticas na região ártica. Na oportunidade, também foi discutida uma futura participação do Brasil nas atividades da International Arctic Science Committee (IASC).

Coordenado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Programa Institutos Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) foi criado para mobilizar e apoiar os melhores grupos de pesquisa em áreas de fronteira da ciência em setores estratégicos para o desenvolvimento sustentável do País. Atualmente, existem 125 INCTs abrangendo todas as cinco regiões brasileiras.

Recentemente, Jefferson Simões esteve no CNPq para apresentar os resultados do seu trabalho ao presidente do CNPq, Hernan Chaimovich, quando nos concedeu entrevista:

 
1) Qual a importância da criação dos INCTs?
É essencial, foi a primeira vez, em mais de 30 anos de projeto, que tivemos constância no financiamento e, mais importante ainda, na gestão próprio cientista. Por isso que gerou um plano de ação pra ciência antártica, essa comunidade cresceu, se estabeleceu e aumentou muita a produtividade intelectual. Nós aumentamos a produtividade e agora temos que aumentar a qualidade da produção que não existia para penetrar no conhecimento da relação antártica Brasil. Como por exemplo: melhorar as previsões meteorológicas, melhorar o conhecimento da circulação oceânica, a história da avaliação do clima no passado, o impacto do Brasil no clima antártico, na gestão e a proteção do ambiente antártico.
Agora, a nossa principal missão agora é fazer a próxima operação Antártica. Estamos tentando viabilizar tanto financeiramente, quanto logisticamente.
 
2) Como está a estação Antártica?
Vai ser firmado o contrato com os chineses que ganharam a licitação. Ainda este ano, devem ser feitos os primeiro estudos geotécnicos. A construção da nova estação deve ser no verão de 2016/2017.
 
3) E isso está impedindo que as pesquisas continuem?
Não. Já faz dois anos que estamos executando plenamente todas as missões antárticas. A equipe teve que ser reduzida e a qualidade de condições de trabalho relacionado ao conforto. E importante entender que só 20 a 30% da pesquisa Antártica brasileira é feita na estação (Antártica). Nós temos outras três plataformas onde fazemos pesquisas cientificas, uma muito importante é o Navio Polar Almirante Maximiano (H-41), que é nossa principal plataforma de pesquisa. Temos também os acampamentos e o módulo Ciosfera 1que é o primeiro módulo científico brasileiro instalado no interior do continente antártico. No próximo ano inauguraremos o Criosfera 2, que será construído em Porto Alegre.
 
4) Com relação às pesquisas, como podemos identificar os impactos ambientais, sociais e econômicos? O que essa pesquisa trás de retorno em termos de conhecimento?
Uma das grandes metas do plano de ação foi mudar o modelo do programa antártico brasileiro. Para isso, levantamos a questão: Qual são as areas científicas que nos trariam maior informação, principalmente, da relação meio ambiente antártico e meio ambiente brasileiro. A questão da variabilidade climática, a antártica é tão importante quanto a Amazônia no controle do clima e do tempo meteorológico do hemisfério sul. Estamos agora tentando fazer algumas coisas como incluir a variabilidade do mar congelado nos modelos do clima do Brasil, as frentes frias que penetram no Brasil de tempos em tempos, elas determinam as condições climáticas e tem impacto social. Nós só vamos ter uma melhor previsão climática e meteorológica se incluirmos os fenômenos que ocorrem na Antártica.
 
5) E a questão do degelo?
O programa antártico brasileiro agora é responsável pelo monitoramento de uma parte da antártica, nós monitoramos a Península Antártica. É uma das areas mais sensíveis, tem perda de massa, tem uma contribuição para o aumento do nível do mar, é uma questão de décimos de milímetro. Então, temos mantido o monitoramento da sua variabilidade, como ela está perdendo massa. O cenário que trabalhamos é de um aumento até 2100 de no mínimo de 20 centimentos e máximo 1,20m de derretimento.
 
 
Edição: Luiz Sérgio Dibe