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30/03/2010

IATS em parceria com o edital PROAFRICA

Este ano, o IATS entrou com apoio adicional ao projeto, que vinha sendo financiado pelo edital PROAFRICA do CNPq desde 2008. O Instituto auxiliou na permanência, de dois meses em Angola, da equipe de profissionais responsáveis pela realização de pesquisa avaliatória do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) de Luanda. As atividades dos agentes comunitários de saúde, direcionadas à saúde materno-infantil, no Município de Cacuaco, Província de Luanda, Angola, foram alvo do estudo, incluindo aspectos de práticas preventivas, morbimortalidade, acesso ao serviço de saúde e condições sociais.

Giugliani, que começou, em 2005, a trabalhar no contexto da saúde pública em Angola, falou da sua experiência recente e das expectativas dessa nova avaliação:

- É um momento crítico na organização do país, e acredito que a cooperação com o Brasil pode dar muitos frutos, gerando resultados concretos para ambos os países e promovendo solidariedade num contexto global. O desafio de trabalhar em um projeto que lida com especificidades políticas, sociais e culturais, com uma abrangência intercontinental, tem nos ensinado muito e fortalecido a nossa convicção de que a produção de conhecimento, através da pesquisa e das relações humanas, pode e deve estar a serviço das políticas públicas, para além das fronteiras.

Nos meses de agosto e setembro de 2010, a equipe do projeto, realizou a coleta de dados primários junto às comunidades de alguns bairros do município de Cacuaco. A equipe do trabalho de campo é composta por Camila Giugliani (médica de família, doutoranda em Epidemiologia e pesquisadora do IATS), Patrícia Thomas (médica de família), Idalice Barbosa (psicóloga, tutora da residência multiprofissional em saúde da família em Sobral, Ceará), Carlile Lavor (médico sanitarista, diretor do Núcleo Ceará da FIOCRUZ), Míria Lavor (assistente social), João Baptista Humbwavali (enfermeiro angolano, mestrando em Epidemiologia) e os professores de Epidemiologia, orientadores do projeto e pesquisadores do IATS Bruce Duncan e Erno Harzheim. Dois assessores gerais (angolanos) e 16 entrevistadores (angolanos) também fizeram parte da coleta de dados.

Antes de iniciar a coleta, os entrevistadores angolanos receberam um treinamento de cinco dias. Em seguida, foram selecionados dois bairros com o PACS implementado (área intervenção) e dois bairros sem o Programa (área controle). Os bairros foram divididos em micro-áreas (conglomerados) e, em cada uma delas, foram realizadas entrevistas com as mães de aproximadamente 20 crianças menores de dois anos. No total, foram feitas 749 entrevistas (369 na área intervenção e 380 na área controle). Além disso, a equipe realizou dois grupos focais com os agentes comunitários dos bairros da área intervenção. O objetivo dos grupos focais foi de registrar informação sobre o processo de trabalho dos agentes, principalmente as dificuldades que vêm encontrando para exercer as suas atividades.

A cooperação Brasil-Angola, no contexto deste projeto, vem se desenvolvendo desde 2007. No Brasil, os agentes de saúde já existem há mais de 20 anos. Iniciou-se com uma ação de destaque no Ceará, após uma situação de emergência causada por uma grande seca, da qual participaram Carlile e Míria Lavor, que também participam no projeto atual. Desde 1991, o PACS foi lançado formalmente pelo Ministério da Saúde e, por esta experiência, o Brasil foi convidado pela UNICEF para apoiar Angola em 2007, quando foi lançada a iniciativa do PACS de Luanda, que até hoje treinou aproximadamente três mil agentes de saúde. Por sua vez, o Brasil conta com mais de 240 mil agentes de saúde atualmente Além disso, uma afinidade histórica e cultural entre os países também reforça esta cooperação, e os conhecimentos adquiridos, durante a pesquisa, serão muito importantes na elaboração de novas tecnologias em saúde, especialmente frente aos desafios inerentes a um trabalho de cooperação internacional, onde as tecnologias devem adaptar-se aos diferentes contextos, contando sempre com o protagonismo dos dois países.

Neste momento, a equipe está se dedicando à construção do banco de dados para realizar a análise das informações que vieram do terreno. A previsão para divulgar os resultados é abril de 2011. Está planejada também uma missão a Luanda, em meados do ano de 2011, para dar retorno aos angolanos sobre os resultados do trabalho.

Este projeto tem a intenção de fornecer dados de avaliação (incluindo estrutura, processo e resultado) do PACS para a Direção Provincial de Saúde de Luanda. É a primeira vez que uma pesquisa desse gênero é feita em Luanda, e essas informações poderão contribuir para o fortalecimento do Programa como estratégia de desenvolvimento da atenção primária à saúde, atraindo a atenção de gestores, profissionais e população em geral.

Clique aqui pra assistir ao documentário Angola com Agente, realizado durante os meses de pesquisa na África.

Jornalista: Bruna Repetto