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13/04/2015

Mais ginástica, menos remédio

A prática de exercícios físicos pode eliminar o uso de medicação adicional para pacientes com diabetes tipo 2. O estudo que indica a possível substituição de fármacos complementares ao tratamento convencional (metformina é o medicamento mais utilizado no Brasil) por uma rotina de atividade física estruturada e supervisionada já analisou dados de mais de 7 mil pessoas e irá recomendar ao Ministério da Saúde a criação de centros públicos de treinamento para que pacientes possam trocar um item da farmácia por hábitos de vida mais saudáveis.

De acordo com o professor Daniel Umpierre, autor do trabalho, os efeitos benéficos da atividade física regular e sua contribuição para o controle da glicemia (nível de glicose presente no sangue) são amplamente reconhecidos. Contudo, segundo ele, o estudo que está em desenvolvimento no Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS/UFRGS/HCPA) irá relacionar a quantidade e a intensidade dos exercícios praticados com os resultados obtidos para a saúde, como aquisição de mais qualidade e mais tempo de vida, e com foco em pacientes com diabetes tipo 2.

Daniel conta que a pesquisa também irá analisar o impacto econômico relacionado aos benefícios clínicos que o treinamento físico, estruturado e supervisionado, gera. “Ao conhecermos estes valores, poderemos avaliar a viabilidade de incorporação desta terapia ao SUS, indicando uma detalhada análise de efetividade e custos ao Ministério da Saúde”, explica o educador físico e pesquisador. “O exercício físico expressa seus benefícios no controle do diabetes de forma muito segura. Associado a uma boa dieta alimentar, demonstra ótimo resultado para o paciente. Um dos desafios atuais é definirmos a melhor orientação de exercícios para que ela possa ser recomendada como uma política pública de saúde”, especifica Umpierre.

Segundo ele, estão sendo avaliados os resultados de exercícios aeróbicos (caminhada, corrida, ciclismo, natação), treinamento de força (musculação) e a combinação das duas práticas, numa amostragem de quase 8 mil pessoas participantes. “A frequência da prática física é muito importante. A Organização Mundial da Saúde aconselha uma carga semanal mínima de 150 minutos. Acreditamos que, a partir desta carga, a magnitude do efeito benéfico é excelente para o combate à glicemia e melhora da pressão arterial, podendo reduzir, em muitos casos, a necessidade do uso de mais medicamentos. Numa das frentes de análise, estimamos que o treinamento físico contribui em magnitude similar a de fármacos adicionais, eliminando a terapia farmacológica complementar à metformina, que é a medicação convencionalmente receitada”, defende.

 

Texto e edição: Luiz Sérgio Dibe