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03/03/2015

Qual o melhor modelo de saúde para o Brasil?

Decisões baseadas em evidências científicas e orientadas pelas demandas da população atendida são alguns dos temas propostos para discussão no artigo "Economia da Saúde, equidade e eficiência: estamos quase lá?", de autoria do pesquisador do IATS, Marcos Bosi Ferraz. Para ele, além do desafio de definir um modelo a ser adotado, uma sociedade precisa debater como irá proceder as escolhas dentro do modelo definido, considerando que não é possível atender a todas as necessidades de todas as pessoas.

Ferraz aponta quatro modelos principais de gestão dos recursos da saúde: libertário, comunitário, igualitário e utilitário, os quais devem ser guiados por conceitos de ética e justiça distributiva. "O acordo social sobre um modelo ou uma mistura definida de modelos é fundamental para evitar a desigualdade e decisões injustas em sistemas de saúde públicos ou privados", defende. Segundo o autor, o uso excessivo de métodos e ferramentas - sem a definição clara de objetivos básicos e princípios filosóficos e, mais ainda, sem a devida avaliação sobre a adequação dessas medidas para que o cumprimento dos objetivos -, não contribui para uma eficiente melhoria da saúde da população.

O pesquisador acredita que o Brasil precisa aprimorar a definição de seu modelo público, representado pelo SUS. "Está confuso, atualmente, pelo cruzamento de conceitos dos quatro modelos", critica. Para Ferraz, um plano mais bem definido é necessário. No entanto, conforme o autor, não há receita mágica para a qualificação, senão a ampla discussão nas esferas da sociedade. "Pode ser um trabalho iniciado na Academia, mas precisa ter prosseguimento nas Casas Legislativas, na elaboração de políticas públicas pelo Executivo, nas demandas apresentadas pelas associações de usuários e demais organizações civis. O debate precisa chegar aos cidadão", analisa.

 

Leia o artigo em PubMed.

 

Texto e edição: Luiz Sérgio Dibe