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31/07/2014

Vacina da Hepatite A evitará 28,5 milhões de casos

Economia superior a R$ 13 bilhões, mais de 28,5 milhões de adoecimentos evitados e mais de 1.100 vidas preservadas. Esse poderá ser o saldo positivo para o Brasil com a incorporação da vacina contra Hepatite A no Sistema Único de Saúde (SUS). Os dados, que deram suporte à tomada de decisão no Ministério da Saúde, são  resultados de estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS) e revelam que, sem a imunização, o país precisará investir mais de R$ 6,9 bilhões em consultas médicas, exames diagnósticos, medicação, internações, transplantes de fígado e cuidados aos transplantados, nos próximos 20 anos. O custo social, que soma os gastos com tratamento aos gastos familiares e à perda de produtividade do paciente e de seu cuidador, atingirá quase R$ 21 bilhões em prejuízo para a sociedade brasileira em duas décadas. Quase 45 milhões de pessoas ficarão doentes e, delas, cerca de 2 mil irão morrer.

A divulgação dos dados da pesquisa ocorre simultânea ao anúncio sobre a adoção da nova vacina ao Programa Nacional de Imunizações. Professora do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, a pesquisadora do IATS Patrícia Soarez afirma que a estratégia é racional e econômica. “Com base nos resultados do modelo de análise de decisão empregado, a estratégia de vacinação universal da Hepatite A, em todas as crianças, é uma estratégia econômica, ou seja: mais efetiva e mais barata que o tratamento dos danos causados pela doença. Segundo as estimativas produzidas pelo modelo, com a incorporação da vacina teremos menor número de casos de doença, menor número de mortes, a um custo menor para o SUS e para a sociedade”, detalha a pesquisadora.

Patrícia conta que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), órgão que assessora o Ministério da Saúde nas decisões sobre novas tecnologias para o SUS, utilizou o relatório técnico do IATS para recomendar a incorporação da vacina ainda no ano passado. Para a pesquisadora, o trabalho científico demonstra impacto de alcance nacional imediato. Porém, indica que o modelo poderá superar as fronteiras do país. “Os resultados podem ser extrapolados, com cautela, para países da América Latina com perfis epidemiológicos e sistemas de saúde semelhantes”, aponta.

“As evidências científicas são consistentes e constroem um cenário para os próximos 20 anos no Brasil. Não há o que pensar. Não temos dúvida de que se trata de uma vacina efetiva e segura. Inicialmente, haverá um investimento relativamente alto, pois a vacina ainda não é produzida no país. No entanto, a economia virá em seguida. Ao longo dos anos, teremos menor impacto financeiro sobre SUS, com menos drenagem de recursos para esta finalidade. Haverá menos demanda para o sistema, pois muitas pessoas não irão adoecer. E melhor: teremos menos crianças doentes, pais deixando suas atividades produtivas por estarem envolvidos nos cuidados do filhos. Perderemos menos vidas”, define a pesquisadora.

 

SOBRE A VACINA

A vacina contra Hepatite A é aplicada em duas doses, administradas durante o segundo ano de vida. A primeira dose pode ser administrada simultaneamente a outras vacinas já incluídas no calendário de imunização infantil (aos 12 meses, junto com a tríplice viral e antipneumocócica conjugada 10-valente ou aos 15 meses, junto com o reforço das vacinas contra polio, DTP e antimeningocócica C conjugada), não havendo necessidade de visita adicional para sua administração. Entretanto, há necessidade de visita adicional para a administração da segunda dose da vacina, uma vez que o intervalo recomendado entre doses é de seis meses. Alternativamente, a administração da segunda dose poderia ser retardada até os quatro a seis anos de idade, quando a criança recebe o segundo reforço de DTP e de pólio, e a segunda dose da tríplice viral.

 
Texto e edição: Luiz Sérgio Dibe