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19/11/2013

ARTIGO: Especialistas alertam para riscos da escrita em Inglês

A menos que você tenha feito estágio num país de Língua Inglesa, por um período prolongado, escrever a primeira versão do seu artigo em Inglês será, provavelmente, um dos piores erros que você poderá cometer. Resista a esta ideia, pois ela é tentadora. Afinal de contas, você lê artigos em Inglês razoavelmente bem. Além disso, o fato de mandar seu artigo já nessa língua para um tradutor faria você economizar uma quantia enorme de dinheiro. Ou, pelo menos, isso é o que você pensa. Nos próximos parágrafos, vamos eliminar alguns desses mitos.
 
Primeiro, adicionar a complexidade da escrita em Inglês a toda a complexidade inerente à escrita de artigos científicos vai fazer com que você não consiga ter a devida atenção nem a um, nem a outro. Isso é o que os norte-americanos costumam chamar de “cognitive burden”, ou sobrecarga cognitiva.
 
Segundo: na imensa maioria dos casos, o artigo que você tenta escrever em Língua Inglesa vai ser escrito com palavras em Inglês, mas numa estrutura e maneira de escrever em Português. Em inglês, as frases são estruturadas de maneira diferente e as expectativas do leitor são igualmente diferentes. Esse é o motivo pelo qual você já deve ter ouvido ou talvez tido a experiência de enviar um artigo com um Inglês que, aparentemente, era bom; só que teve uma resposta do editor, dizendo que o Inglês não era sequer aceitável. Apesar do vocabulário e da gramática estarem aceitáveis, a maneira como foi escrito fazia com que o texto estivesse quase impossível de ser entendido por um leitor cuja primeira língua é a Inglesa.
 
Qual a solução, se é que ela existe? Uma solução possível é você escrever a primeira versão do seu artigo em Português, mas com uma estrutura americanizada. Os princípios para isso são basicamente escrever frases curtas, com uma estrutura simples (agente/verbo de acão/alvo da acão) e eliminar toda e qualquer palavra que não faça falta dentro da frase. Além disso, você também deve coletar informações de artigos semelhantes ao seu, observando as palavras técnicas e sua tradução mais aceita. Com esses elementos no seu texto, uma tradução ficaria muito mais simples, tanto para você (com ou sem o auxílio de ferramentas como o Google Translate), quanto para o seu tradutor.
 
Claudia Vanalli é especialista em tradução do Inglês, consultora técnica para traduções de artigos científicos e autora de cursos online sobre como escrever artigos científicos em inglês.
Ricardo Pietrobon é especialista em educação. Suas publicações internacionais podem ser acessadas no Google Acadêmico.
 
 
Edição: Luiz Sérgio Dibe