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17/08/2012

“Está surgindo, no Brasil, um novo paradigma da prática sanitária”

A Economia da Saúde tem grande importância na administração de gastos e melhor aproveitamento de recursos públicos na área da saúde, com capacidade de informar sobre custos e benefícios envolvidos nas tomadas de decisões. Em países desenvolvidos, a área recebe grande destaque, e o Brasil vem acompanhando este cenário com o crescimento significativo do setor. O Professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Giácomo Balbinotto Neto, conversou com a IATS News sobre as principais questões do tema.


1.  Qual a sua importância da Economia da Saúde para os sistemas de saúde e por que essa área tem crescido tanto?


Giácomo Balbinotto – A Economia da Saúde tem se tornado importante e interessante por, basicamente, quatro razões: I) Dimensões da contribuição do setor da saúde para o total da economia. Atualmente ela representa cerca de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, nos Estados Unidos, por exemplo, este valor atinge a cifra de 15%; II) Por ser uma das principais preocupações da população, a área da saúde tem significativa importância econômica e social, sendo um item fundamental da agenda política e econômica de qualquer país; III) Como os recursos financeiros são escassos e podem ser usados de modo alternativo é necessário que duas ou mais estratégias sejam comparadas, considerando-se seus custos e benefícios; IV) A saúde é um preceito constitucional, sendo um direito de todos e um dever do Estado garantir, mediante as políticas sociais e econômicas, a redução do risco de doenças, bem como o acesso universal e igualitário tanto na promoção, proteção e recuperação. Desse modo, todos estes fatores fazem com que esta área apresente atualmente um crescimento em termos de produção acadêmica e preocupação política.


2.  O Brasil, comparado a outros países, vem acompanhando e aplicando as mudanças necessárias?

GB - No que se refere aos gastos em saúde, o Brasil tem se situado num padrão médio alocando cerca de 8% do seu PIB (Produto Interno Bruto) em saúde. No que se refere à avaliação de tecnologias em saúde, o Brasil está estruturando um sistema que busca utilizar melhor os recursos. Um dos pontos fundamentais para isto é a formação de profissionais nesta área. Embora o Brasil tenha progredido nesta área, ainda há muito a ser feito e neste ponto o papel de universidades e institutos, como o IATS e CNPq, é fundamental. Há ainda muito a ser feito na estruturação do marco institucional transparente e sólido no setor saúde, seja em relação aos planos de saúde, indústria farmacêutica e vigilância sanitária.

3. Como a área da economia qualifica uma boa gestão em saúde, quais aspectos devem existir?


GB - A justificativa fundamental da avaliação econômica é que os recursos são limitados em relação aos seus benefícios potenciais. Assim, se deseja maximizar o bem-estar social, é necessário levar em conta todos os efeitos de decisões que afetam direta ou indiretamente a alocação de recursos. Portanto, o objetivo é valorar o uso de recursos escassos (materiais, medicamentos, tempo dos médicos e de outros profissionais da área, hospitais e tempo dos pacientes) necessários para produzir certos efeitos em saúde – os desfechos (“outcomes”) da intervenção. A análise econômica é baseada na premissa de que os indivíduos têm que abrir mão de uma parte de um recurso para conseguir parte de um outro. Em nível nacional, isto significa que o destino de crescentes parcelas do PIB à assistência à saúde, em última análise, implica em decrescentes parcelas a outros usos.


4. Quais as previsões e novidades  podem ser esperadas pelos gestores de saúde no Brasil?


GB - Penso que está surgindo no Brasil um novo paradigma da prática sanitária.  Cada vez mais, a adoção de conceitos de Medicina Baseada em Evidências está presente na tomada de decisão e avaliação econômica em saúde, utilizando a abordagem econômica e os instrumentos teóricos e empíricos. Isto se torna claro com a criação de institutos como o IATS e a REBRATS, boletins como o Brats, iniciativas do Ministério da saúde através de seu departamento de economia da saúde, entre outras.   Acredito que a previsão é de que tais conceitos e metodologias tornem-se padrão nos próximos anos, mas isto requer a formação de recursos humanos de alto nível e investimento. Com isto os recursos em saúde serão melhor alocados e geridos, e o resultado será um maior bem-estar da população.






Você sabia que...

O setor da saúde responde por quase 8% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, o mesmo percentual de países desenvolvidos como Inglaterra e Canadá. No entanto, o PIB brasileiro é inferior comparado a estes países, levantando o questionamento se os investimentos são suficientes. Em termos totais, os 8% apresentam também uma problemática na distribuição  – 3,5%  são destinados ao sistema público de saúde , que atende 75% da população, e 4,5% ao sistema suplementar, que atende 25% da população. A Economia da Saúde aparece, portanto, como um importante campo de conhecimento, voltado para o desenvolvimento e uso de ferramentas de economia na análise, formulação e implementação de políticas de saúde.

Conheça o departamento de Economia da Saúde no portal do Ministério.









Jornalista responsável: Bruna Repetto