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12/12/2011

“Já temos conhecimento para pensar um mundo sem AIDS, a questão é como traduzi-lo para a população e saúde pública”

 Qual a importância do 1º de dezembro para prevenção e conscientização da doença?

Ricardo Kuchenbecker - Esta data é um dia de “prestação de contas” em escala internacional, quando os relatórios e boletins são divulgados.
A AIDS é uma epidemia sem precedentes e o seu impacto ainda é grande. Os desafios em informar, prevenir e começar a tratar mais cedo continuam. Nós já temos conhecimento para pensar um mundo sem AIDS, a questão é como traduzi-lo para a população e saúde pública. As campanhas e mobilizações são importantes, mas são pontuais e episódicas, é necessário também “trabalhar” a conscientização através de uma comunicação contínua.


 O Brasil tem investido muito em antirretrovirais, a ação mostra que o país tem acompanhado o ritmo internacional?

RK - O caso do Brasil é parecido ao panorama mundial, que apresenta uma queda de óbitos, mas este índice só em mantido devido à região sudeste. As demais áreas do Brasil apresentam uma situação muito inferior à média nacional.


 Quais as perspectivas de combate à doença nos próximos anos, em termos científicos e práticos?

 RK -  Há 20 anos não tínhamos condições econômicas e não sabíamos o que fazer para tratar a doença. Atualmente, posso citar 5 avanços e soluções efetivas que são uma realidade através da intervenção medicamentosa: a não transmissão do vírus da mãe para o bebê, do indivíduo soropositivo pra o seu parceiro, de uma pessoa exposta ao vírus vir a se infectar, do indivíduo soropositivo em tratamento não manifestar o vírus e a prevenção, que sempre é fundamental.
O principal desafio é colocar o saber em prática, “congelar” o conhecimento e disseminar cada vez mais estas 5 intervenções. Além disso, reinventar a comunicação em saúde também é necessário, precisamos estar mais próximos da população jovem e de risco, seja dentro de redes sociais ou em suas “tribos” e ambientes frequentados.


 Qual o desafio dos gestores ao conduzir uma tomada de decisão no  tratamento para AIDS?

RK - Os 5 avanços citados já tiveram sua efetividade testada, mais ainda é preciso avaliar o custo econômico. O tratamento ainda é caro, gerando barreiras, este é o ponto que precisa ser mais explorado. O primeiro desafio está em manter um tratamento sustentável, incorporando os medicamentos de forma contínua e construindo alternativas que reduzam os custos a longo prazo. O segundo foca o indivíduo, ou seja, acompanhar o tratamento do paciente e suas reações diante da doença também em termos psicológicos.



Jornalista responsável: Bruna Repetto