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02/05/2011

Gestão em Pesquisa

A comunidade científica brasileira presenciou incremento sem precedentes no financiamento público à pesquisa no nosso país. O resultado do investimento em Ciência & Tecnologia já é tangível pelo aumento de publicações científicas em periódicos peer review, fato destacado em editoriais dos periódicos Nature e Science no ano de 2010.

Este cenário tornou evidente uma fragilidade das nossas instituições de pesquisa, a falta da disponibilização de estruturas para a gestão administrativa de processos relacionados às atividades de pesquisa.  Etapas cruciais para consolidar os grupos de pesquisa no Brasil, tais como a prospecção dos editais de pesquisa, a elaboração do orçamento do projeto, a preparação da proposta com as regras exigidas pelas agências de fomento, a infra-estrutura para execução do projeto e a prestação de contas são executadas, na maioria dos casos, pelos próprios pesquisadores. Isto significa que os pesquisadores são absorvidos pelas atividades onde não possuem expertise e afastam-se da atividade para a qual são capacitados.


A agência FAPESP publicou matéria recente sobre a necessidade de profissionalizar a gestão da pesquisa no Brasil. O diretor científico da FAPESP, Carlos Henrique de Brito Cruz, comentou que a Fundação tem estimulado fortemente as universidades paulistas a criar estruturas que garantam o apoio institucional.

- Esse é um assunto importante para a FAPESP. É preciso haver apoio para evitar que o pesquisador se desgaste na administração do projeto e na sua gestão, de tal modo que o seu tempo possa ser dedicado à pesquisa e à orientação de estudantes - disse Brito Cruz.

O diretor citou também o recente artigo publicado na revista Research Managment Review, que destacou a importância da existência de estruturas de apoio institucional à pesquisa: “O texto mostra que, nos Estados Unidos, 42% do tempo do pesquisador é gasto com administração dos projetos de pesquisa”.

Este tema assumirá cada vez mais importância nas Universidades e Centros de Pesquisa Brasileiros.  Hoje, salvo raras exceções, as universidades não disponibilizam estrutura administrativa que permita atender as etapas burocráticas necessárias para as aquisições oriundas dos projetos. O pesquisador e, muitas vezes, seus alunos de pós-graduação envolvem-se em diversos processos administrativos para verem suas pesquisas realizadas. Além do desgaste nas questões burocráticas, vemos que muitos projetos podem ter seus resultados comprometidos, tendo em conta que a atividade do pesquisador está ligada às questões técnicas de sua área e não em desenhar a etapa de planejamento e respectivas necessidades como as aquisições, os custos diretos e indiretos e os riscos inerentes a elas (atraso de entrega de material, ou contratações de mão de obra), apenas para citarmos alguns exemplos.
  
Uma das soluções, como a implementada pela FAPESP, seria que as instituições formatassem um grupo de profissionais para gestão da pesquisa que atenda aos grupos existentes e emergentes, deixando ao pesquisador a tarefa de desenvolver ciência e tecnologia.


 Confira a matéria da FAPESP

 

Texto: Denizar Vianna (médico cardiologista e pesquisador)
  Colaboração: Juliana Juk (gestora de projetos)
  Edição: Bruna Repetto (jornalista)