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21/04/2011

Mortalidade Infantil e ATS

1. Como a ATS auxilia no combate e prevenção da mortalidade infantil?

Mortalidade infantil consiste nas mortes de crianças durante o seu primeiro ano de vida e reflete as condições de desenvolvimento socioeconômico e infra-estrutura ambiental, bem como o acesso e a qualidade dos recursos disponíveis para atenção à saúde materna e da população infantil. Ele é divido em duas taxas: taxa de mortalidade neonatal e Taxa de mortalidade pós-neonatal.
A taxa de mortalidade neonatal estima o risco de um nascido vivo morrer nos primeiros 27 dias de vida e está  relacionada às condições de saúde da mãe, à inadequada assistência pré-natal, ao parto e ao recém-nascido. A taxa de mortalidade pós-neonatal  estima o risco de um nascido vivo morrer dos 28 aos 364 dias de vida e denota as situações que condicionam a desnutrição infantil e as infecções a ela associadas, bem como, o acesso e a qualidade dos recursos para atenção à saúde materno-infantil.
Nos países desenvolvidos, o avanço tecnológico e a organização dos modelos
assistenciais contribuíram para o aumento da chance de sobrevivência de prematuros extremos e de muito baixo peso. A avaliação de tecnologias no cuidado pré-natal, como o rastreamento e tratamento de doenças infecto contagiosas da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e da diabetes gestacional (DMG) e a vacinação e prevenção do nascimento de pré termo, afeta diretamente a mortalidade infantil precoce e reduz custos em hospitalizações. A mortalidade pós-neonatal depende de medidas tradicionais de saúde pública, como os programas de vacinação para todas as crianças, e do acesso a serviços de cuidado de puericultura qualificado e da amamentação. Apesar de tecnologias “leves”, estas medidas têm alterado substancialmente o perfil de mortalidade infantil pós- neonatal.

2. Quais os dados significativos trazidos por estudos recentes sobre o tema?

O principal determinante de mortalidade infantil é o baixo peso ao nascer. As Estratégias para qualificação da assistência pré-natal e a prevenção de nascimentos prematuros são indispensáveis para redução dos índices atuais, o que ainda permanece como grande desafio para medicina. Nos Estados Unidos (EUA), a FDA aprovou um tratamento para prevenção de nascimentos pré termos em mulheres com história prévia de aborto espontâneo. A medicação 17 alpha-hydroxyprogesterone caproate (17OHP), uma progesterona sintética, quando iniciada antes das 21 semanas de gestação foi relacionada à redução de 33% dos casos de prematuridade, necessitando que 14 pacientes em risco fossem tratados para evitar o primeiro evento. Apesar dos bons resultados da droga, recente artigo publicado no The New England Journal of Medicine (NEJM) relata o alto custo da medicação de marca aprovada, inviabilizando seu uso como estratégia populacional nos EUA.
Em 2006, James Macinko publicou um estudo avaliando o efeito da Estratégia Saúde da Família (ESF) na mortalidade infantil no Brasil e demonstrou que, a cada 10% do aumento da cobertura da ESF, houve uma redução de 4,5 % na mortalidade infantil. Outros resultados favoráveis foram observados em metanálise publicada em 2010, sobre o efeito de orientações sobre cuidados pré e pós-natal realizada por visitadores domiciliares em países em desenvolvimento. Nesta metanálise foi observada redução do risco de 38%  para todas as causas de morte infantil.
 

Muitas intervenções efetivas para reduzir a mortalidade das crianças são conhecidas, a maioria delas consistindo de tecnologias relativamente simples. O grande problema são as barreiras de acesso a essas intervenções, principalmente das populações mais vulneráveis. Muito se investe em novas tecnologias, mas o investimento na implementação das tecnologias que já têm efetividade comprovada deixa muito a desejar. O estudo de Jones, publicado na revista Lancet em 2003, mostra que se essas intervenções conhecidas e com efetividade comprovada atingissem acesso universal, 63% das mortes de crianças menores de 5 anos poderiam ser prevenidas".


Texto: Karine Lima (médica de família e comunidade)

Colaboração: Camila Giugliani (médica de família e comunidade)

Organização e Edição: Bruna Repetto (jornalista)